O que é comunicação científica?

Por Mário Gaudêncio

Ao passo que a dinâmica da comunicação científica se expande, inúmeras atividades são demandadas e a busca pela qualificação e o comprometimento com a prática editorial se torna cada vez mais evidente, oportuno e necessário.

O processo de comunicação da ciência, após a fase de consolidação do Movimento Internacional Acesso Aberto, provocou nos profissionais que produzem e gerenciam conteúdos, novas posturas.

Face a este processo, e mesmo depois de ter ocorrido um aumento exponencial do número de periódicos e a ampliação quantitativa e qualitativa de livros, utilizando mídias impressas e digitais, a cadeia produtiva no processo de produção de conteúdo científico não poderia se acomodar. Uma série de desafios eram lançados e a comunidade científica deveria oportunizar respostas ágeis e rápidas.

Se por um lado a “filosofia” open access permitiu ampliar o processo de democratização quanto a submissão, acesso, uso e interação à informação, fruto do resultado de investigação científica, por outro, muitas lacunas se expandiam, que em certa medida demoravam para ser solucionados, dentre elas está o reposicionamento profissional, internacionalização de pesquisas, legitimação, transparência e curadoria quanto ao trato de seus conteúdos.

Com este cenário a comunicação científica se deu conta que as suas engrenagens não estavam prontas e consolidadas ao ponto de termos no Brasil uma cadeia forte e cíclica de produção, divulgação e interação em todas as regiões brasileiras.

Isso reflete os dias atuais, onde a realidade conjuntural apresenta um desenvolvimento desigual no Estado, seja por questões políticas ou de percepção para fortalecer a tríade Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento.

Infelizmente, apesar de ser vista a necessidade de uma evolução de longo prazo ao contexto da educação, ciência e tecnologia, o Estado na prática não consegue pensar e executar ações para o Brasil para um período substancial. Vivemos cotidianamente um “efeito sanfona”, ou seja, o investimento de hoje, provavelmente não existirá amanhã. É um cenário difícil para qualquer setor produtivo brasileiro e no caso, também para a campo da comunicação da ciência.

Por isso, ao pensar o processo de comunicação científica, as suas mais diversas facetas e áreas de domínio (campos do conhecimento e disciplinas) devem ser respeitadas. Não existe ambiente melhor ou pior. E isso vale também para àquelas atividades de pequena, média ou alta complexidade. Se antes tínhamos como desafio, encontrar o espaço adequado para publicar um texto, hoje temos desafios políticos e institucionais, além de uma constante busca para promover a qualidade das investigações produzidas por meio de canais de comunicação capazes de potencializar a fidelização, interação e ampliação do alcance no trato científico.

A sociedade da informação, conhecimento, tecnologia e da comunicação entra em um novo estágio global, que o da interação, convergência e curadoria. O quão estamos preparados para favorecer a comunicação científica dentro de um cenário de disputa indiretamente oportunizado pelos canais de comunicação e investigação da ciência? Para ilustrar esta pergunta, talvez uma segunda ajude a responder a primeira: Será que basta dispor de publicações científicas com Qualis, DOI, ORCID, Indexação Internacional, Fator de Impacto e Conselho Editorial, por exemplo, para serem consideradas boas? É possível ir além? Se sim, o que falta?

Talvez se olhamos para “Microfísica do poder” e “Modernidade Líquida” por exemplo, encontremos possíveis soluções para possíveis cenários. Quem sabe se o investigador, na verdade, a pessoa, o ator social for visto de fato como o “centro das atenções”,  com todas as suas especificidades, sem frieza, imediatismo, distanciamento e empoderamento, tenhamos condição de lutar e construir um meio ambiente científico plural, horizontal e aberto.

Capes lança edital de apoio à publicação científica de Acesso Aberto

Capes lança importante de apoio a publicação científica brasileira.

Segundo a Capes (2016, online), a ideia é de

“apoiar e incentivar a editoração e a publicação de periódicos científicos brasileiros em todas as áreas de conhecimento, sendo considerado prioritário o apoio às revistas divulgadas por meio eletrônico, na Internet, em modo de acesso aberto, ou de forma impressa/eletrônica simultaneamente”.

É importante salientar que são disponíveis recursos para custeio.

Veja a íntegra do edital no Portal da Capes.

Fonte: Capes

Entenda os 3 índices Qualis Capes

por Mário Gaudêncio

Qualis-Periódicos

Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Tal processo foi concebido para atender as necessidades específicas do sistema de avaliação e é baseado nas informações fornecidas por meio do aplicativo Coleta de Dados. Como resultado, disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção.

A estratificação da qualidade dessa produção é realizada de forma indireta. Dessa forma, o Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos.

A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade – A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C – com peso zero.

Note-se que o mesmo periódico, ao ser classificado em duas ou mais áreas distintas, pode receber diferentes avaliações. Isto não constitui inconsistência, mas expressa o valor atribuído, em cada área, à pertinência do conteúdo veiculado. Por isso, não se pretende com esta classificação que é específica para o processo de avaliação de cada área, definir qualidade de periódicos de forma absoluta.

O aplicativo que permite a classificação e consulta ao Qualis das áreas, bem como a divulgação dos critérios utilizados para a classificação de periódicos é o WebQualis.

Clique aqui para acessar o WebQualis

Qualis Livros

O Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES) durante a 111ª Reunião, realizada em 24 de agosto de 2009, aprovou o Roteiro para Classificação de Livros. O roteiro traz conceitos e definições comuns e sugestão de modelo de ficha de classificação e servirá como orientação para as 23 áreas que vão classificar livros.

Em várias áreas do conhecimento, os livros constituem a principal modalidade de veiculação de produção artística, tecnológica e científica. As outras áreas de conhecimento, nas quais a produção de conhecimentos quase não se expressa na forma de livros, mas preferencialmente na forma de artigos em periódicos, não utilizarão o Roteiro para Classificação de Livros.

O roteiro consolida discussões ocorridas nas áreas e no âmbito do CTC-ES desde o meio do ano de 2008, cujos esforços eram de estabelecer critérios e procedimentos comuns para a qualificação de livros.

Como no caso de periódicos as orientações e critérios do roteiro foram estabelecidos visando exclusivamente à avaliação da produção intelectual dos programas de pós-graduação e, portanto, são inadequadas para avaliações individuais de professores, pesquisadores e alunos.

Clique aqui para acessar Roteiro para Classificação de Livros.

Qualis Artístico

A área de Artes/Música considera a produção artística, vinculada diretamente aos programas de mestrado e doutorado pertencentes à área, central para o processo de avaliação de seus Programas de Pós-Graduação stricto sensu. Sendo assim, consolidou e utiliza o Qualis Artístico o qual, no contexto da avaliação trienal, é o instrumento que permite a classificação, de acordo com critérios e procedimentos claros e compreensíveis às demais áreas de avaliação, da produção artística dos programas de pós-graduação submetida à CAPES, em cada ano do triênio, por meio do aplicativo Coleta Capes. Outras áreas de avaliação também utilizam o Qualis Artístico, ainda que atribuam uma importância menor a este item no quesito da ficha de avaliação.

Partindo do princípio de que o eixo da avaliação é a produção dos programas e de que se trata de perceber como o conjunto da produção artística dos programas é reconhecido pela Área a partir de sua repercussão e abrangência, considera-se que mais importa uma temporada que uma apresentação única; uma exposição que uma obra particular, já que o agrupamento das produções permite uma visão panorâmica e otimizada das mesmas – devendo ser enfatizadas as produções, cujo impacto se faz sentir no contexto das temporadas, turnês e exposições.

Nesse contexto, dois aspectos são considerados norteadores na avaliação dos produtos declarados no Coleta pelos programas que valorizam esta modalidade de produção intelectual: a) o impacto da obra, sua repercussão e abrangência (onde foi apresentada, se ganhou prêmio, se foi selecionada por júri qualificado, se é obra única ou parte de uma série, etc.); b) grau de vinculação com linha de pesquisa ou projeto de pesquisa do autor.

Advoga-se para os Programas da área um equilíbrio entre produção bibliográfica e produção artística. Neste sentido, o processo de avaliação da pós-graduação em Artes/Música classificou a produção artística de tal forma a equipará-la à produção bibliográfica.

A íntegra está disponível em: Capes

Revistas espanholas em Ciência da Informação

por Mário Gaudêncio

Aos pesquisadores que se interessam em publicações científicas em língua espanhola, seguem algumas fontes de informação, conforme orientação do Laboratório de Tecnologias Intelectuais (2016, online):

Correo Bibliotecario | Crítica Bibliotecológica | El Profesional de la Informacion | Métodos de Informacion | Palabra Clave | Representación y Organización del Conocimiento | Revista Española de Documentación Científica | Revista Investigación Bibliotecológica | Revista Interamericana de Bibliotecología | Textos Universitaris de Biblioteconomia i Documentació

Tendo em vista os periódicos levantados e somados as revistas científicas de outras línguas como o inglês, português, alemão, francês ou italiano, por exemplo, será possível consolidar um arcabouço teórico e metodológico estratégico, atual e um diferencial ao processo de investigação científica.

REFERÊNCIAS

Classes de periodismo | LTI-UFPB | Tipos de periodismo

Revista de Informação do Semiárido (RISA)

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) Campus Angicos apresenta a Revista de Informação do Semiárido (RISA). É um periódico interdisciplinar e está sendo criado com finalidade abrir espaço para discentes, docentes, pesquisadores, Instituições de Ensino, Institutos de Pesquisa e outros que possam colaborar produzindo ciência e contribuindo para o desenvolvimento da sociedade.

Veja os números do primeiro volume em: http://periodicos.ufersa.edu.br/revistas/index.php/risa

Artigos

POR UMA EPISTEMOLOGIA DA CRIATIVIDADE LIBERTADORA: ENTRE ATUALIDADE BRASILEIRA E PRÁTICA DA LIBERDADE – Por Agostinho da Silva Rosas

AS 40 HORAS DE ANGICOS: VÍTIMAS DA GUERRA FRIA? – Por Marcos J. C. Guerra

ALFABETIZAR E POLITIZAR: ANGICOS, 50 ANOS DEPOIS – Por Moacir Gadotti

UMA INTRODUÇÃO À VISÃO DE HOMEM, MUNDO E CONHECIMENTO NA PERPECTIVA FREIREANA – Por Sandra Maria Borba Pereira

A ATUALIDADE DA PEDAGOGIA DE PAULO FREIRE NA TRANSFORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO SEMIÁRIDO NORTE-RIOGRANDENSE – Por Éder Jofre Marinho Araújo, Rita Diana de Freitas Gurgel

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