Um olhar necessário à netnografia

pelo Mário Gaudêncio

A Sociedade da Informação e da Comunicação diariamente tem precisado dar respostas as mais diversas demandas do mundo contemporâneo.

A cada dia surgem novos objetos de estudos, provocando um realinhamento teórico-metodológico aos problemas levantados pelos seus ecossistemas da informação.

Nesse contexto, a comunidade científica precisa criar condições plausíveis para sanar questões dialéticas ou pragmáticas, por exemplo.

Percebendo isso, e mirando na cibercultura, podemos visualizar como uma saída alternativa para responder aos desafios do mundo atual, a abordagem metodológica Netnografia.

A Netnografia é derivada da Etnografia, e tem como um dos seus objetivos basilares, entender o processo de interação social e informacional a partir das relações sociais dentro da dinâmica comunicacional que ocorre por meio do diálogo mediado pelo computador.

Esta conjuntura se manifesta em virtude do ciberespaço por meio da cibercultura que tem apresentado os seus próprios paradigmas diante de uma sociedade cada vez mais exigente.

E é nesse contexto que a netnografia em sua concepção, a cada dia tem maturada uma evolução importante, dando um singular suporte a produção de conteúdos a partir de espaços digitais, sejam eles, mídias sociais, blogs, comunidades virtuais ou grupos de discussão por exemplo.

Com uma proposta hermeticamente articulada e construída, que pensa nas mais diversas possibilidades de análises e reflexões, a netnografia certamente pode ser percebida como uma possibilidade metodológica capaz de descortinar incertezas no campo da investigação científica eletrônica.

Portanto, o pesquisador que quiser entender as dimensões e complexidades do ciberespaço, certamente precisará conhecer o potencial metodológico da netnografia.

REFERÊNCIAS

KOZINETS, R. V. Netnografia: reaizando pesquisa etnográfica online. Tradução de Daniel
Bueno. Porto Alegre: Penso, 2014. (Métodos de Pesquisa).

ROCHA, P. J.; MONTARDO, S. P. Netnografia: incursões metodológicas na cibercultura. E-Compos, dez. 2005. Disponível em: <http://compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/55/55>. Acesso em: 03 out. 2016.

AMARAL, A.; NATAL, G.; VIANA, L. Netnografia como aporte metodológico da pesquisa em comunicação digital. Imaginário, ano 13, n. 20, p. 34-40, 2008. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/famecos/article/view/4829/3687>.

O que é mídia?

Texto escrito por
Adriano Duarte Rodrigues

Reflexão Analítica
Mário Gaudêncio
salemario@gmail.com

Mayara de S. G. Fonseca
mayarasgfonseca@gmail.com

Elys Ana S. R. Tavares
jornalelys@yahoo.com.br

Introdução

Ao longo da história, a ideia de mídia vem fazendo parte do nosso cotidiano, seja pensando ou discutindo-a positiva ou negativamente. Em torno da mídia e do seu sentido são construídos discursos semânticos onde pessoas, “ora […] idolatram, ora […] demonizam as inovações técnicas que fazem parte da sua experiência” (RODRIGUES, 2015, online).

Nesta vertente, o leitor é provocado para refletir algumas questões permeiam este debate, conforme é expressado por (RODRIGUES, 2015, online):

  1. Será que a mídia faz discursos?
  2. De que mídia se trata quando se diz que produzem discursos?
  3. Será que afinal a mídia fala?
  4. Falar de discurso dos mídia não é uma maneira disfarçada de magia, uma versão atual das fábulas do tempo em que os animais falavam?

Uma série de provocações são lançadas, que por um lado podem clarificar o entendimento, mas também podem gerar ruídos, aumento assim a possibilidade de entendimento. Mesmo assim, diante das questões levantadas, torna-se evidente a necessidade de um diálogo em torno da questão.

Assim, aproveitando este enredo que acabara de ser provocado, Rodrigues (2015, online), o mesmo levanta 7 (sete) seções que para aprofundar este debate, sendo eles:

O que é mídia?

  • A dimensão técnica dos media
  • A linguagem, a mídia constitutiva de toda a experiência possível
  • Utensílios, instrumentos, máquinas,  dispositivos
  • Para uma antropologia da experiência técnica
  • A lógica da invenção técnica
  • As diferentes modalidades de dispositivos mediáticos

O que é mídia?

Historicamente o termo mídia passou a ser adotado no final do século XIX para tratar das invenções tecnológicas criadas para envio de mensagens de pessoas que estão distantes, conforme é dito por (RODRIGUES, 2015, online):

[…] introduzido em inglês, no final do século XIX, nos Estados Unidos da América, no contexto cultural específico dessa época, para designar três inventos recentemente inventados: o telégrafo, a fotografia e a rádio. O que levava os americanos a designar estes inventos como mídia era o fato de tornarem possível a transmissão de mensagens entre pessoas distantes […].

Vale salientar que o termo mídia é derivado do termo médium, que na percepção de Rodrigues (2015, online), “remete as técnicas com o kardecismo (sic) e a prática do espiritismo, […] muito em voga nos Estados Unidos” que também tinha como finalidade básica, estreitar e/ou aproximar pessoas por meio de mensagens.

A dimensão técnica dos media

Em sua visão investigativa, Rodrigues (2015, online) entende a priori que “[…] o termo mídia compreende objetos técnicos ou artefatos (sic)“. Contudo, tais artefatos, por exemplo, exigem de algo maior para que a sua razão de existir seja justificada. Numa linha espaço-temporal, o homem sempre dependeu de inversões ou técnicas que permitissem e viabilizassem a existência da especie humana. Nesta lógica, Rodrigues (2015, online) afirma categoricamente que

a espécie humana esteve desde sempre dependente dos seus inventos técnicos, uma vez que o processo de hominização consiste precisamente na atrofia dos seus dispositivos naturais e na correspondente aquisição da tendência para a elaboração de artefatos (sic) que compensem os dispositivos naturais atrofiados.

Esta constante dependência, ratifica que o ser humano é o aspecto central frente aos dispositivos midiáticos, mesmo com todas as suas limitações. Em virtude disso, tem-se este olhar fundamental do Rodrigues (2015, online), ao perceber que “os dispositivos midiáticos, por mais extraordinários que pareçam ser à primeira vista as suas realizações no nosso tempo, só podem realizar aquilo que já estava desde sempre presente na experiência do mundo dos seres humanos”.

Mesmo em um cenário de dependência, é possível observar que nem sempre é assim. Se observamos a perspectiva biológica do ser humano, já na sua concepção o Berger e Luckman (2010 apud Rodrigues, 2015, online) chamou de “socialização primária”.

A linguagem, a mídia constitutiva de toda a experiência possível

Na perspectiva de Rodrigues (2015, online),primeiro e mais importante dispositivo midiático é a linguagem”. Talvez por entender que toda e qualquer manifestação ou interação social, só passe a existir de fato, em virtude das trocas comunicacionais, emitindo e recebendo mensagens, por exemplo.

A linguagem antecede qualquer expressão midiática após o que chamamos de “socialização primária”, simplesmente por perceber que “na mídia da linguagem estão predefinidos todos as outras mídias, está de antemão prevista a invenção de todas as outras mídias possíveis” (RODRIGUES, 2015, online).

Dessa maneira, podemos entender que a fonte geradora do poder da mídia se consolida através da natureza midiática da linguagem, que é fundamental para compreender a relação da mídia com o discurso, conforme é afirmado por Rodrigues (2015, online).

Utensílios, instrumentos, máquinas,  dispositivos

Rodrigues (2015, online) faz uma importante consideração quando diz que “aquilo a que nos habituamos (sic) a dar o nome de mídia são objetos técnicos distintos dos utensílios, dos instrumentos e das máquinas”.

Ao realizar esta observação, se faz necessário apontar as características individuais no que tange os utensílios, instrumentos, máquinas e dispositivos, conforme são expresso por Rodrigues (2015, online) a seguir:

Utensílios e Instrumentos: caracterizam-se pelo fato de a sua natureza técnica residir na materialização e na exteriorização da sua tecnicidade e de a sua funcionalidade técnica depender da sua manipulação ou da sua acoplagem ao corpo. Exemplo: martelo e microscópio ótico

Máquinas: caracterizam-se pelo fato de a sua natureza técnica também residir na materialização e na exteriorização da sua tecnicidade, mas, ao contrário dos instrumentos e dos utensílios, a sua funcionalidade técnica não depende da sua acoplagem ao corpo, uma vez que se trata de artefatos (sic) dotados de individualidade ou autonomia em relação à sua manipulação.

Dispositivos:  distinguem-se, portanto, tanto dos utensílios e dos instrumentos como das máquinas, pelo fato de a sua natureza técnica não ser exteriorizada e de a sua funcionalidade técnica não depender da sua acoplagem ao corpo, mas da sua interiorização no organismo.

Assim, temos a “linguagem como o dispositivo que constitui o nosso mundo e, por isso, nos permite, ao mesmo tempo, interagir com o mundo que ele constitui e dar conta dos dispositivos que o constituem” (RODRIGUES, 2015, online).

Para uma antropologia da experiência técnica

O ser humano em sua essência reside suas experiências e necessidades sob práticas de invenções, descobertas, experiências orais, escritas e/ou técnicas que propõem um diálogo social constante entre pessoas.

É por isso que, por mais que recuemos no tempo, não encontramos vestígios da presença humana que não estejam acompanhados de vestígios de artefatos (sic) reveladores da sua experiência técnica, indiciadora da necessidade de constituição do seu mundo próprio. Daí também que observemos, desde as épocas mais recuadas, o processo de invenção de técnicas destinadas, tanto a perpetuar a linguagem no tempo, como a alargar a sua ressonância no espaço (RODRIGUES, 2015, online).

A exemplo disso, está o caso da invenção da impressa, que revolucionou o modelo de sociedade a partir do século XVI, onde o poder do discurso através da linguagem promoveu profundos desdobramentos em todas as cadeias econômicas e sociais, no que diz respeito ao modo de mediar informação e possibilitar a comunicação.

A lógica da invenção técnica

Esta vertente enquanto possibilidade midiática, permite e trás a ideia de aproximação da sociedade frente aos inventos e descobertas. Em função disso, é importante trazer ao centro desse debate, Gilbert Simondon. Este por sua vez, na opinião de Rodrigues (2015, online), “foi provavelmente o autor que melhor definiu a lógica da invenção técnica, considerando-a como um processo sociogenético de progressiva concretização dos objetos técnico”.

Nesta mesma lógica, “vemos assim que, para este autor, o conceito de interação sinergética é o conceito chave da lógica a que obedece o processo sociogenético de invenção técnica.

Significa dizer que a interação, da forma como está sendo concebida, será fio condutor entre a capacidade de articulação do ser humano (com todas as suas peculiaridades) com as técnicas inventivas de comunicação.

Nesse contexto, McLuhan e Powers (1989 apud RODRIGUES, 2015, online), aproveitam para considerar “os media como dispositivos que prolongam os nossos órgãos dos sentidos que, deste modo, formam o fundo de que recortamos as figuras das nossas percepções”.

Estas percepções, por natureza, podem ocorrer por meio da escrita alfabética ou de dispositivos eletrônicos, por exemplo, é necessário as capacidades motoras de interação e de aprendizagem precisam ir além, estabelecendo inclusive uma condição de equilíbrio e valorizando as mais diversas formas de produção de sentido.

Assim, “é por isso que, se faz necessário a aprendizagem de uma percepção do mundo que equilibre o funcionamento dos dois hemisférios cerebrais, valorizando de igual modo a percepção visual e as visões acústica e tátil (sic) […]”.

As diferentes modalidades de dispositivos mediáticos

É possível identificar a “existência de duas categorias de dispositivos midiáticos”, conforme são expressos por (RODRIGUES, 2015, online).

a) próteses e das órteses

Vemos que “As próteses são dispositivos midiáticos utilizados sobretudo em medicina e que se destinam, respetivamente, a substituir órgãos inexistentes ou a tornar mais eficiente o funcionamento de órgãos deficientes” (RODRIGUES, 2015, online).

Seguindo esta mesma lógica:

Constata-se que “As órteses são, por exemplo, os óculos, os relógios de pulso, os pacemakers ou marcapassos, dispositivos técnicos midiáticos que são incorporados na experiência humana para intervirem, respetivamente, na percepção visual, na percepção do tempo e no funcionamento do coração” (RODRIGUES, 2015, online).

b) dispositivos midiáticos de enunciação ou dispositivos midiáticos discursivos

Além dos citados anteriormente, uma outra possibilidade se constrói em torno dos tipos de dispositivos. Assim, observamos que

“os dispositivos midiáticos de enunciação, tais como o grafismo, as diferentes modalidades de escrita, a imprensa de caráter (sic) móvel, o telégrafo, a fotografia, o telefone, a rádio, a televisão, os mais recentes dispositivos cibernéticos são inventos que intervêm no desencadeamento das interações discursivos dos seres humanos” (RODRIGUES, 2015, online).

Nesse entender, podemos comprovar que provavelmente

a característica mais importante dos dispositivos midiáticos é o fato de só nos apercebermos do seu funcionamento quando deixam de funcionar, quando falham, quando o seu funcionamento é deficiente. Esta característica distingue-os evidentemente das outras modalidades de objetos técnicos e decorre do fato de serem dispositivos técnicos, isto é, de serem artefatos (sic) incorporados, de estarem interiorizados no nosso organismo.

A exemplo disso, podemos evidenciar a linguagem, que tem uma capacidade autônoma de interação e que está interiorizado ao nosso organismo.

Considerações finais

Fomos chamados a fazer uma releitura da ideia de mídia. Vimos que o objeto investigado tem um foco epistemológico amplo, mas um viés científico único, a ciência da comunicação. Na medida em que nos debruçamos sob a questão, vamos podendo ter ciência que para entender todas as dimensões dos estudos da mídia, é primaz refletir tanto suas questões metafísicas quanto aquelas que concernem a sua perspectiva empírica, seja qual for a sua corrente teórica e filosófica. Assim,

os estudos de comunicação que pretendem ter as mídias como objeto, mas que ignoram esta característica não têm, por conseguinte, as mídias como objeto de estudo, mas outras questões que não têm propriamente nada a ver com as mídias, mas com questões particulares que têm a ver com o funcionamento da sociedade, tais como o poder, as desigualdades sociais, determinados estereótipos, tais como o racismo, o sexismo, a violência. Partem do pressuposto de que estas questões  dependem do funcionamento das mídias, como se o funcionamento das mídias fosse uma realidade exterior à própria experiência do mundo própria da sociedade que as inventou e que as utiliza. Os dispositivos midiáticos […] têm influência sobre os nossos comportamentos e têm poder, mas essa influência e esse poder escapam à nossa percepção e, por isso, somos incapazes de os discernir, uma vez que coincidem com a própria experiência que nós próprios constituímos (RODRIGUES, 2015, online).

Portanto, a mídia vai muito mais além de instrumentos ou dispositivos. É algo que transcende e mobiliza a forma de conceber e de comunicar-se através de meios viabilizadores para promover a interação social entre seres humanos. Pessoalmente, chego a dizer que a maior representação simbólica que temos sobre a mídia, é o próprio ser humano a partir de toda a sua complexidade inerente.

ANEXO A – SOBRE O AUTOR

Licenciado em Sociologia e doutor em Comunicação. Professor Catedrático emérito da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Autor de vários livros, entre eles Estratégias da comunicação (Presença, 2001, 3ª ed.), Comunicação e cultura (Presença, 2010, 3ª ed.), A partitura invisível (Colibri, 2005, 2ª ed.) e O paradigma comunicacional (Calouste Gulbenkian, 2011).

ANEXO B – GLOSSÁRIO

Sociogenético: Referente à origem e conservação da sociedade considerada em seus aspectos claramente humanos, como o estético, o espiritual e o intelectual.

Hominização: evolução física e intelectual do homem desde a sua fase primitiva até ao estádio de desenvolvimento atual.

REFERÊNCIAS

RODRIGUES, Adriano Duarte. Afinal o que é mídia? Japaratinga, AL: CISECO, 2015. Disponível em: <http://www.ciseco.org.br/index.php/noticias/280-adriano-duarte-rodrigues-afinal-o-que-e-a-midia>. Acesso em: 23 set. 2016.

Sites consultados

  1. http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/hominiza%C3%A7%C3%A3o
  2. https://www.dicio.com.br/sociogenetico
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilbert_Simondon

Quanto vale um livro?

Por Mário Gaudêncio

Recentemente as “cartas ao diretor” do Jornal El País, publicou a nota intitulada “o valor de um livro”, escrito por Rodrigo González Sánchez Zamora.

Contextualizando o texto, a ideia não olhar o livro sob a ótica comercial, mas numa perspectiva simbólica, ou seja, sob a sua capacidade natural de permitir o livro em um esteio voltado para condição cultural de interpretação e valorização.

Vemos em um primeiro momento a afirmação de que os livros são subvalorizados. Logo em seguida, o autor aproveita a oportunidade para enaltecer o contato de uma pessoa com um bom texto literário. Por fim questiona determinadas “tecnologias” que colocam em segundo plano o texto em detrimento de imagens e vídeos.

Assim, Rodrigo González Sánchez Zamora, faz a seguinte observação:

Los libros están infravalorados. ¿A quién no le gusta leer unos versos que te describan tal y como eres, o unas líneas de una novela que te incite a sumergirte en ella? La tecnología ha dado paso a las fotos y los vídeos como símbolo principal de la comunicación dejando en un segundo plano a la escritura, tu mejor amiga en los peores momentos. No pretendo hacer demagogia, sólo quiero exaltar la figura de los libros, aquellos que en esta sociedad actual son los únicos capaces de dar rienda suelta a nuestra imaginación (ZAMORA, 2016, online).

Nesse contexto, até que ponto devemos condicionar as nossas leituras a um único tipo de mídia ou formato? A preferência não deve ser ortodoxa, mas sim, integradora e com a capacidade de promover a convergência de ideias, pensamentos e/ou posturas culturais.

A sociedade atual é cada vez mais imagética e movida pela interação, independente de sua necessidade quanto aos conteúdos que favorecem o acesso a informação ao processo de comunicação.

Assim, o livro é “bom” sob qualquer perspectiva e o seu “valor” está intrínseco simbolicamente em qualquer estrutura.

REFERÊNCIA

ZAMORA, Rodrigo González Sánchez. El Valor de un libro. El País, 2016. Disponível em: <http://elpais.com/elpais/2016/08/25/opinion/1472137322_591925.html>. Acesso em: 01 set. 2016.

O que é comunicação científica?

Por Mário Gaudêncio

Ao passo que a dinâmica da comunicação científica se expande, inúmeras atividades são demandadas e a busca pela qualificação e o comprometimento com a prática editorial se torna cada vez mais evidente, oportuno e necessário.

O processo de comunicação da ciência, após a fase de consolidação do Movimento Internacional Acesso Aberto, provocou nos profissionais que produzem e gerenciam conteúdos, novas posturas.

Face a este processo, e mesmo depois de ter ocorrido um aumento exponencial do número de periódicos e a ampliação quantitativa e qualitativa de livros, utilizando mídias impressas e digitais, a cadeia produtiva no processo de produção de conteúdo científico não poderia se acomodar. Uma série de desafios eram lançados e a comunidade científica deveria oportunizar respostas ágeis e rápidas.

Se por um lado a “filosofia” open access permitiu ampliar o processo de democratização quanto a submissão, acesso, uso e interação à informação, fruto do resultado de investigação científica, por outro, muitas lacunas se expandiam, que em certa medida demoravam para ser solucionados, dentre elas está o reposicionamento profissional, internacionalização de pesquisas, legitimação, transparência e curadoria quanto ao trato de seus conteúdos.

Com este cenário a comunicação científica se deu conta que as suas engrenagens não estavam prontas e consolidadas ao ponto de termos no Brasil uma cadeia forte e cíclica de produção, divulgação e interação em todas as regiões brasileiras.

Isso reflete os dias atuais, onde a realidade conjuntural apresenta um desenvolvimento desigual no Estado, seja por questões políticas ou de percepção para fortalecer a tríade Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento.

Infelizmente, apesar de ser vista a necessidade de uma evolução de longo prazo ao contexto da educação, ciência e tecnologia, o Estado na prática não consegue pensar e executar ações para o Brasil para um período substancial. Vivemos cotidianamente um “efeito sanfona”, ou seja, o investimento de hoje, provavelmente não existirá amanhã. É um cenário difícil para qualquer setor produtivo brasileiro e no caso, também para a campo da comunicação da ciência.

Por isso, ao pensar o processo de comunicação científica, as suas mais diversas facetas e áreas de domínio (campos do conhecimento e disciplinas) devem ser respeitadas. Não existe ambiente melhor ou pior. E isso vale também para àquelas atividades de pequena, média ou alta complexidade. Se antes tínhamos como desafio, encontrar o espaço adequado para publicar um texto, hoje temos desafios políticos e institucionais, além de uma constante busca para promover a qualidade das investigações produzidas por meio de canais de comunicação capazes de potencializar a fidelização, interação e ampliação do alcance no trato científico.

A sociedade da informação, conhecimento, tecnologia e da comunicação entra em um novo estágio global, que o da interação, convergência e curadoria. O quão estamos preparados para favorecer a comunicação científica dentro de um cenário de disputa indiretamente oportunizado pelos canais de comunicação e investigação da ciência? Para ilustrar esta pergunta, talvez uma segunda ajude a responder a primeira: Será que basta dispor de publicações científicas com Qualis, DOI, ORCID, Indexação Internacional, Fator de Impacto e Conselho Editorial, por exemplo, para serem consideradas boas? É possível ir além? Se sim, o que falta?

Talvez se olhamos para “Microfísica do poder” e “Modernidade Líquida” por exemplo, encontremos possíveis soluções para possíveis cenários. Quem sabe se o investigador, na verdade, a pessoa, o ator social for visto de fato como o “centro das atenções”,  com todas as suas especificidades, sem frieza, imediatismo, distanciamento e empoderamento, tenhamos condição de lutar e construir um meio ambiente científico plural, horizontal e aberto.

O que está por trás do Pokémon Go?

Por Mário Gaudêncio

Recentemente visualizamos diversos comentários e dúvidas sobre o jogo “Pokémon Go”, que inclusive tem sido um sucesso internacional. Contudo, a tecnologia que está por traz dela é algo ainda mais surpreendente, pois a “realidade aumentada (RA) ou augmented-reality ( AR ) é a integração de informações virtuais a visualizações do mundo real (como, por exemplo, através de uma câmera)” (WIKIPÉDIA, 2016, online).

Temos em condições artificiais uma tecnologia capaz de criar um contexto híbrido que possibilita aproximar a civilização de um “mundo real imbricado”, incluindo determinados objetos visuais e sensoriais, sendo capaz de ser aplicado não apenas a área do entretenimento.

Talvez por isso que Cortella e Dimenstein (2015), digam que não existe mais uma linha tênue entre real e virtual. Um está contido no outro. Este cenário se fortalece cada vez mais quando temos a intenção de solucionar problemas do “mundo real” e não conseguimos. É também em virtude desse contexto que Bauman (2001) reflete a ideia de “modernidade líquida”.

Portanto, emular situações a partir da Realidade Aumentada (RA), será cada vez necessário para que tenhamos condição de iluminar questões tecnológicas, sociais e culturais ainda não equacionadas.

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

CORTELLA, M. S. A Era da curadoria: o que importa é saber o que importa. Campinas: Papirus, 2015).

G1. Pokémon Go para IOS e ANDROID levará monstrinhos para mundo real. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2015/09/pokemon-go-para-ios-e-android-levara-monstrinhos-para-mundo-real.html>. Acesso em: 18 jul. 2016.

WIKIPÉDIA. Pokémon Go. 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Pok%C3%A9mon_GO>. Acesso em: 18 jul. 2016.

WIKIPÉDIA. Realidade aumentada. 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade_aumentada>. Acesso em: 18 jul. 2016.

Chegamos a marca de 100 mil visualizações

O Blog Para bibliotecários acabou de superar a marca 100 mil visualizações.

Esse número é fruto do cuidado e zelo com o seu público, majoritariamente de estudantes e pesquisadores que buscam informações em torno do mundo do livro, leitura e da biblioteca, seja qual for o meio, suporte ou posição ideológica.

A partir deste marco, serão ampliadas e aprofundadas posts de releituras em português, também por meio do que tem sido comunicado pelos principais jornais de língua espanhola que foquem olhares em torno das práticas de leitura que estejam em consonância com o mundo da ciência da informação.

Então, siga e acompanhe as nossas reflexões e releituras. Aqui será possível encontrar um olhar alternativo e crítico em torno do que é discutido pela sociedade.