Mercado editorial independente

Coluna escrita por Mário Gaudêncio

É complexo analisar o mercado editorial independente, contudo, irei tecer alguns comentários que permitam nos direcionar a uma reflexão mais abrangente e profunda.

Meu olhar dar-se-á através do “quadrado mágico”: Criação, Produção, Política e Mercado.

A primeira categoria, Criação, leva em consideração o processo idealista de pensar, o cenário cognitivo e a materialização do espírito criativo.

O processo de criar envolve alma, afeto e transpiração.

Ao longo da minha trajetória como editor científico e um curioso do mercado de livros comerciais, tenho percebido que, da mesma forma que se tem facilitado o acesso aos meios que auxiliam a trajetória criadora de um potencial escritor, também é cada vez mais difícil ter o conhecimento suficiente ou tempo necessário para transformar ideias em produtos que atendam os interesses da sociedade de consumo. Bem! se é que esse é o interesse do autor!

Muitos acreditam que a tarefa de escrever um livro é uma prática cultural trivial, que não é necessário dedicar uma grande energia para materializar uma criação, seja qual for a finalidade.

Apesar de gostar de contar histórias e se interessar em revelar as fantasias literárias das pessoas, não é todo relato de experiência que pode se transformar em um livro. Não existe uma varinha de condão ou poção mágica que eu manipule e dali saia um livro. Também incluo a isso a controversa Inteligência Artificial Generativa. O processo de criar envolve alma, afeto e transpiração.

Dito isso e percebendo um crescimento vertiginoso do número de pessoas que começaram a rabiscar os seus primeiros inscritos, tem surgido um quantitativo substancial de plataformas que prometem disponibilizar textos ou imprimi-los em um tempo surreal, algo que muitas vezes se torna preocupante, seja do ponto de vista dos direitos autorais ou da distribuição.

Chegamos assim, a nossa segunda categoria, Produção. O processo de produção está diretamente atrelado ao anterior. É parte parte do processo extremamente relevante, mas que também se manifesta como um “gargalo” substancial.

Após finalizarmos e revisarmos o texto, para quem vamos entregar o texto? Em quem confiar? O que fazer com aquele trabalho fruto de suor, insônia, desgaste físico e mental, além da presente ansiedade? Como edito o material? Posso publicar como autoria própria ou terei que mendigar que algum agente literário tenha a sensibilidade de ler?

São muitas perguntas com as quais as respostas não fáceis de se conseguir.

Notadamente, o caminho, supostamente mais adequado é o de ir pela linha editorial independente, alternativa ou mesmo da autopublicação, que guardadas as devidas proporções, todas ainda demandam de uma convenção terminológica para tratar da editoração editorial fora do mainstream literário.

Leitura, antídoto para a desinformação

Coluna escrita por Mário Gaudêncio

Em terra de não leitores, temos um terreno fértil para a desinformação.

O cenário do “mundo da leitura” no Brasil não é animador e causa preocupação.

Ao contrário do que revelam os dados na Europa e na Espanha, onde por exemplo, a média de leitores é de 80 a 90% em alguns países da União Europeia e de 65,5% na Espanha (El Espanol, 2025, tradução nossa, online), no Brasil, na última pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, demonstrou ser um país de não leitores.

Segundo o Instituto Pró-Livro (2024, p. 15, online) e a Academia Brasileira de Letras (2025), “[…] 53% das pessoas ouvidas admitiram, que […] não tinham lido um só livro, nem mesmo em parte”.

“53% das pessoas ouvidas admitiram, que não tinham lido um só livro, nem mesmo em parte”.

Este dado é ainda mais alarmante se considerarmos a situação da região Nordeste e do Rio Grande do Norte, áreas de onde escreve este editor. Nessa região, apenas 43% das pessoas são considerados leitoras. Já o RN amarga a última posição no ranking entre todos os estados da federação, com um triste percentual de 33% de pessoas que leem.

Na prática, significa que são dados estatísticos estarrecedores, aqui demonstrados pelo Instituto Pró-Livro (2014, p. 21).

Revelados esses dados e cruzados com o cenário global e local do fenômeno da desinformação, essa terra de não leitores, o Brasil, abre margem para um “terreno fértil para a produção e propagação de notícias mentirosas” e do esgarçamento das relações sociais, potencializando o surgimento de cenários de infodemias.

O não acesso a leitura, e por ela a leitura crítica, faz do cidadão um ser vulnerável a consumir registros informacionais e objetos digitais sem tratamento, filtro ou relevância. Isso é piorado se observarmos que a maior parte da população tem planos de dados de internet limitados. Muitos têm apenas condições de abrir pequenos volumes de dados de mensageiros, implicando, caso queiram, a impossibilidade de checar os dados recebidos.

Ter competência crítica para a análise da informação não é uma tarefa trivial, porém, é cada vez mais necessária e urgente, só que para ser favorecido é preciso que as pessoas tenham acesso ao conhecimento registrado confiável. Isso passa necessariamente pelo acesso à leitura, formação de leitores e pela consolidação de comunidades de leitores.

Paulo Freire (1989), em “A Importância do ato de ler: em três artigos que se completam”, já sinalizava o quão é importante a leitura para transformar pessoas. Mas não apenas uma leituras das palavras. Também seria fundamental uma leitura de mundo.

Paulo Freire, nos conduzia para uma leitura encarnada, uma práxis leitora que levava o ser humano a transformação, induzindo a uma militância intelectual, podendo alterar a mentalidade em direção a um novo compromisso humanitário e formação de uma nova intelectualidade (Gramsci, 1982).

Somos chamados a olhar a leitura para além da leitura, como um antídoto possível para frear esse “mar de desinformação” com o qual estamos imersos.

Vale lembrar que a desinformação não é um fenômeno novo, mas impulsionada pelas milícias digitais que promovem guerras culturais, ela tem alcançado proporções inimagináveis, como a violência simbólica e a física. Para além do cancelamento, as mentiras digitais têm levado a morte.

E de forma dicotômica, os envolvidos diretamente não têm sofrido as sanções devidas, onde já é sabido que o primeiro passo é a regulamentação das mídias digitais, que está nas mãos de grandes conglomerados internacionais e que tem resistido a se adequarem as leis das nações e de suas soberanias.

Se por um lado, temos grupos que estão lutando pela soberania digital, por outro, vemos cada vez mais grupos de pessoas desinformadas, que sob o pretexto da “liberdade de expressão” tem causado medo e dor em milhares de pessoas.

Assim, percebe-se que um possível caminho a ser seguido, é o de pensar em estratégias Estatais que viabilizem práticas leitoras libertadoras, capazes de dar ao ser humano, as ferramentas e condições necessárias para emergirem ao estágio de leitores, primeiro passo de muitos que ainda são importantes para chegar ao nível de leitores críticos.

Ao chegar ao nível de leitores críticos, se permitirá suplantar o analfabetismo ideológico e compreender a importância de valorizar a ética do diálogo, conforme propõe Rocha (2021) na obra “Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político”.

Tal importância ocorre no sentido de responder as preocupações expressas por Max Fisher (2023) e Miskolci (2021), respectivamente, com as suas obras “A Máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo” e “Batalhas morais: política identitária na esfera pública técnico-midiatizada”.

Portanto, vê-se que uma das formas de superar o fenômeno da desinformação é através da leitura e da formação de leitores. Apenas com uma forte comunidades de leitores críticos, teremos condição de minimizar os danos causados pelo distópico mundo da pós-verdade.


Referências

CASTRO, Ruy. O país dos não leitores. Rio de Janeiro: ABL, 2025. Publicado originalmente na Folha de São Paulo, em 16 jan. 2025. Disponível em: https://www.academia.org.br/artigos/o-pais-dos-nao-leitores#:~:text=S%C3%A3o%20n%C3%BAmeros%20terr%C3%ADveis%2C%20deprimentes%2C%20divulgados,livro%2C%20nem%20mesmo%20em%20parte. Acesso em: 31 jan. 2025.

FISHER, Max. A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. São Paulo: Todavia, 2023.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 51. ed. Cortez: São Paulo, 2017.

GRAMSCI, Antonio. Os intelectuais e a organização da cultura. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982. (Coleção Perspectivas do Homem Série Filosofia, 48).

INSTITUTO PRÓ-LIVRO. Retratos da Leitura no Brasil. 6. ed. São Paulo: IPL, 2024. Disponível em: https://www.prolivro.org.br/pesquisas-retratos-da-leitura/as-pesquisas-2/. Acesso em: 31 jan. 2025.

MISKOLCI, Richard. Batalhas morais: política identitária na esfera pública técnico-midiatizada. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.

QUIJANO. F. D. Récord de lectura: los españoles que leen libros en su tiempo libre superan el 65% por primera vez. El espanol, 22 ene. 2025. Disponible en: https://www.elespanol.com/el-cultural/letras/20250122/record-lectura-espanoles-leen-libros-tiempo-libre-superan-primera-vez/918408302_0.html. Consultado en: 30 ene. 2025.

ROCHA, João Cezar de Castro. Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político. Goiânia: Caminhos, 2021.

Venha para o BIBNEWS

O BIBNEWS é um projeto que busca refletir, de maneira integrada, a cultura informacional e a história cultural a luz da sociedade contemporânea, a partir de seus potenciais, dilemas e desafios do século XXI.

Nossa intenção é a de produzir conteúdos que provoquem o pensamento crítico, levando às pessoas a superarem os desafios postos pelo fenômeno da guerra cultural, faceta geradora da desinformação, das notícias falsas e do analfabetismo ideológico.

Queremos produzir conteúdos que fortaleçam a integridade da informação, fazendo com que o ser humano, sinta-se no BIBNEWS, confiança informacional e um espaço aberto para promoção da ética do diálogo.

Cordel transforma vidas

Coluna escrita por Mário Gaudêncio

Muitos me perguntam: de onde vem o gosto pelo cordel?

Essa história, até pouco tempo, não tinha uma resposta pronta! Só recentemente, eu parei para pensar sobre o assunto. Fui fazer uma regressão mental! Risos!

Lembrei que, quando criança, de uma história que meu avô materno contou pela metade, mas que só foi possível entender a partir de outros dois fatos: a prática de leitura mediada por ele; e as pesquisas com a literatura de cordel que começara a fazer muitos anos depois, sem a lúcida referência de que as coisas estavam interligadas.

“Vamos por parte”, como diria um clássico clichê cinematográfico.

Meu primeiro contato ocorreu quando criança, ele, o vô João, aos domingos, juntava todos os netos sobre uma esteira de palha após o almoço. Depois que todos estavam acomodados, em forma de círculo ou semicírculo, ele abria a sua surrada mala de madeira e dali ia fazendo a mágica. Retirava dela os seus folhetos e nos mostrava orgulhosamente o seu pequeno acervo.

Na sequência, escolhia um cordel que julgava ser mais impactante, abria-o e começava a folheá-lo. Folha a folha, ele ia narrando a história que estava em suas mãos. Sua capacidade de contar a história nos prendia profundamente, mas não só pela forma de narrar e sim pelo que envolvia a história em si. Mas para nós o que mais importava, talvez fosse o momento, não o objeto.

Ao contrário do que imaginava, foi justamente o objeto, o folheto, que, inconscientemente, me fez mudar de vida em um futuro distante. A figura do contador, a mediação, a apropriação, o cenário e a prática foram importantes, mas não como o objetivo, porque na realidade, foi o objetivo que conseguiu garantir aquele momento.

Dizendo isso, parece que tenho a intenção de inferiorizar o restante, inclusive o meu querido vô João, mas não é o desejo, ao contrário, ele foi o principal ator para que houvesse esse contato.

Temos o primeiro ato.

Um segundo aspecto, ouvi em uma conversa com ele, quando já era adolescente, em uma das minhas muitas visitas de férias a sua casa. As boas prosas aconteciam bem nos finais de tardes, no momento do chá/jantar das 5 horas, onde não poderia faltar peixe grelhado com batata doce. Ele fez a seguinte revelação:

– Meu filho: Uma das coisas que eu mais desejava fazer quando moço era em primeiro lugar, ir à feira no sábado. Lá comprava de um tudo; depois, era o momento para ouvir os poetas e os cantadores. Por causa deles, dava muitas gargalhadas e ficava sabendo das notícias, onde fazia questão de vos agradecer comprando folhetos. Ouvi tudo aquilo e calei. Gostava muito de ouvir as suas inúmeras histórias. Achava que seria só mais uma. Comemos e depois esqueci de tudo! Parece que não!

De forma complementar a este fato, lembrei que em um certo dia a minha mãe relatou o seguinte cenário: Seu avô era muito vaidoso, antes de ir a feira, seu maior evento social, ele fazia toda uma preparação. Colocava a sua melhor roupa, impecavelmente engomada, ficava todo cheiroso e de barba feita. Seus sapatos brilhavam. Ele parecia com aqueles homens bem vestidos de samba de gafieira. Só para ter uma ideia, o seu sapato dava para espelhar o próprio rosto!

Ele saia com as mãos vazias e retornava com a fartura para a nossa casa. De tudo trazia: se realizava, dentre muitas coisas, com o que o célebre Sivuca cantou, com a “Feira de Mangaio”. Dessa feira vinham as bugigangas, o remédio caseiro, as especiarias, roupas, comidas… Eram sacos e mais sacos de ráfia, inclusive com cordéis, esses não poderiam faltar.

Esse relato passou como uma informação aleatória, assim como foi a que ouvi em outra oportunidade, onde mamãe sinalizou: apenas mamãe lia, seu avô era analfabeto! Sua leitura era a do mundo! Não entendi a segunda parte da informação. Mas tudo bem, ouvi aquilo e calei. Naquele momento não me parecia ser algo relevante para a minha vida.

Tempos depois vieram as pesquisas com cordéis. Foi assim na graduação, no mestrado e no doutorado. O estranho é que só após o doutorado eu tenha lembrado com mais detalhes desses momentos. Parecia que eu tinha tido um bloqueio temporal e cognitivo, que por muito tempo me fez esquecer, mas não perder o que estava guardado nas profundezas do cérebro. Parece que ficou guardado em uma caixa preta, esperando que eu chegasse a uma espécie de tempo de ebulição, fazendo emergir aquele silêncio estrondoso, que aconteceu perto dos quarenta anos.

Acredito que dois textos foram relevantes para este destravamento mental, “Marketing dos camelôs de remédio ou o mundo da camelotagem, de Liêdo Maranhão” e “A importância do ato de ler, de Paulo Freire”, fazendo com eu passasse a me sentir mais perto daquele esquecimento, permitindo que o sentimento de pertença aflorasse como nunca aquelas “pontas soltas”. Aquelas peças de quebra-cabeças aleatórias eram na verdade “migalhas” informacionais que juntas poderiam ser um significado fundamental para a vida, como agora passou a ter.

Liêdo Maranhão traz um profundo retrato do funcionamento das feiras públicas e dos comportamentos e das práticas dos poetas populares nas mesmas.

Paulo Freire fará uma reflexão sobre o papel e importância da leitura de mundo antes mesmo da leitura das palavras.

Essas duas obras irão dialogar intimamente com a representação de mundo percebida e exercida sobre e para o meu avô.

Ele, a partir da sua leitura de mundo e de suas práticas socioculturais, mesmo analfabeto, se apropriou das leituras declamadas e dos repentes cantados e imprimiu ali a sua personalidade, seus anseios, sonhos e desejos, fazendo com que a sua mediação junto aos seus netos, fosse em essência, o resultado das suas experiências com as feiras, a percepção de mundo e a vontade incansável de socializar a sua relação com a leitura na sua forma mais singela, mas não menos triste de contar histórias.

O Contador de histórias, João, que conheci tardiamente, não está mais entre nós para provar as junção de “cacos cognitivos” que fiz e que aqui relatei, mas certamente Liêdo Maranhão e Paulo Freire, assim como Eu, estamos muito felizes o que se pode tirar deste traço de história cultural e dessa literatura, que a longo dos três últimos séculos tem transformado pessoas e presenteado ao Brasil uma estética única e complexa, onde o ser é a história e a história se constrói com rostos, inclusive, os mais humildes e marginais.

O cordel transforma o ser e a vida de quem dele se alimenta e compartilha.

Referências

FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

MARANHÃO, Liêdo. Classificação popular da literatura de cordel, Que só e Marketing dos camelôs de remédio ou o mundo da camelotagem. Cepe: Recife, 2015.

Importância do marketing de experiência

Coluna escrita por Mário Gaudêncio

O marketing ao longo da história tem evoluído e permitido avançar em diálogo com o avanço da sociedade e de suas transformações, como retratado na obra marketing 5.0, escrito por Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan (2021).

Nessa linha de pensamento, se estabelece o marketing de experiências, fazendo com que os pontos de vendas sejam ressignificados profundamente e se tornado novas propostas de valores.
A sociedade e os espaços de consumos, não são mais meros depositantes de mercadorias. Ao contrário, com a evolução tecnológica e a ampliação do nível de exigência do consumidor, é cada vez comum ver no cliente, um ser interagente e vigilante, seja em espaço online ou offline.

O consumidor quer participar diretamente das atividades da empresa. Ele quer fazer parte, ser ouvido. Mas para que ele se sinta porta-voz do negócio, a empresa precisa entendê-lo e oferecer a satisfação necessária para a solução do seu problema.

Viver a experiência é uma maneira de dialogar com o consumidor. Além dos casos aqui levantados, como os apresentados por Almeida e Evangelista (2024), outros são emblemáticos e que poderiam ser mencionados para responder o problema elencado na questão inerente.

Quando visitamos a serra gaúcha, queremos viver a experiência de saborear vinhos, queijos e chocolates, por exemplo; se vamos ao emblemático estádio de futebol Santiago Bernabeu em Madri, queremos fazer um tour pelo lugar; se vamos ao lançamento de um livro, queremos conversar com o autor.
Mas não é só isso, o resultado é que após visitar plantações de videiras, compramos vinho; após o tour no estádio; compramos a camisa e o ingresso para assistir a uma partida internacional; e ao vivenciar o lançamento do livro, compramos a obra para levar um autógrafo.

Às vezes, nem consumimos por necessidade, mas pelo contexto, pelo momento. Fomos induzidos em muitos casos pelo que os cinco sentidos e o neuromarketing possibilitou. Gatilhos neurais foram ativados e induziram a consumir pelo simples que os valores simbólicos estabelecidos e de apelo de valores, como, como “serra gaúcha”, “maior time do mundo” e o autor “best-seller”, mexeram com as nossas capacidades cognitivas, não só passando a ideia de acesso a produtos de excelência ou em certa medida de momentos exclusivos, mas porque o inconsciente foi provocado e induzido a realização ou satisfação de um desejo.

Diante disso, surge o dilema ao mundo corporativo, como gerar valor a partir das experiências? As leituras (Almeida; Evangelista, 2024) nos mostram que é preciso agregar valor e fazer diferente ou ressignificar a maneira de fazer.

A exemplo disso, está o caso das livrarias, que vivem uma crise no mercado editorial. Como atrair e diversificar? Como gerar experiência? Além de ser necessário conhecer a persona com profundidade, veem-se que as experiências exitosas dos últimos anos são aquelas que o local não
é apenas para vender livros. Elas estão se metamorfoseando e se se transformando em espaços multifuncionais. São livros para além dos livros! Ela, além de comercializar literatura, promovem lançamentos de obras, oficinas de escrita criativa, oficinas de artes, rodas de conversas e clubes de livros. São também cafés, bares, papelarias e editoras. As livrarias estão se gourmetizando e se adequando ao que os consumidores de fato querem encontrar em um negócio desse porte, ou seja: cultura, aconchego e entretenimento.

Portanto, é extremamente salutar e positiva as empresas favoreçam a incorporação de valores que aliem as suas filosofias e práticas de mercado ao marketing de experiências. Mas para tanto, é preciso que o marketing de experiências, seja bem planejado e executado.

O marketing de experiência tem potencial para ser uma grande opção estratégica para o empreendimento, além de se revelar como uma ação de custo-benefício eficiente que uma empresa terá, especialmente porque os grandes embaixadores da marca serão ao mesmo tempo, consumidores e clientes.

Referências

Almeida, F.; Evangelista, J. L. Experiências nas relações de consumo. São Paulo: Ânima, 2024.
Kotler, P.; Kartajaya, H.; Iwan Setiawan, I. Marketing 5.0: tecnologia para a humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.

Entrevista com a Bibliotecária Sara Peres (IFCE)

O Portal @bibnewsbr, retoma a sua programação com uma entrevista sobre Gestão Editorial. A mesma, acontecerá no podcast “Capítulo”, no nosso canal, e terá a presença da Bibliotecária Sara Peres (IFCE).

Sara é bibliotecária e mestra em ciência da informação. Ela trará para a nossa conversa, suas experiências e práticas informacionais enquanto profissional da informação e do ecossistema do livro.

Para assistir a entrevista, clique na tela abaixo:

Imagem: @bibnewsbr

A entrevista acontecerá às 18:00 (17/05). Nesse encontro, conversaremos sobre práticas informacionais, plataformas de gestão e mercado editorial, além de trazermos dicas de livros e as novidades do portal para 2024.