Presença do Bibliotecário no Mercado Editorial

Coluna escrita por Mário Gaudêncio

O mercado editorial aos longo das últimas décadas tem passado por diversas transformações, que de certa maneira, são mudanças antagônicas, pois, por um lado observamos cenários de retrações quanto ao contexto das livrarias e fragilização das bibliotecas públicas, por outro, temos a expansão de modelos de negócios editoriais.

Essa crise, com a qual muitos especialistas tem retratado, não reflete apenas retração. Ela também gerou um movimento de geração de espaços capazes de incorporar novas perspectivas de trabalho e de atuação para distintas formações.

Neste sentido, o profissional da informação, o bibliotecário, em especial, começou a perceber que iniciara no Brasil, uma abertura, uma recepção aos conhecimentos biblioteconômicos, favorável e positiva, que em outro momento, até certo ponto, seria limitado a tarefas convencionais do Campo.

Tarefas como Classificar, Catalogar e Normalizar, continuam sendo relevantes, todavia, as novas demandas do mercado editorial, tem apresentado ao bibliotecário oportunidades singulares de atuação. Ao seu papel clássico, outras práticas, outras atividades são potencialmente adicionadas, fazendo com que o seu papel se expanda e se fortaleça a partir de especializações, como a de:

  1. Analista de Performance (Marketing)
    • Responsável pela estratégia digital, na qual as ações são efetivadas com base no desempenho da campanha, anúncio ou quando a conversão desejada ocorre. Tal conversão, definida antes da veiculação das campanhas, pode ser uma venda, a geração de um lead ou o engajamento do público-alvo, por exemplo.
  2. Criador de Conteúdo
    • Responsável pela contribuição das informações para qualquer mídia e, principalmente, para a mídia digital. Eles geralmente têm como alvo um usuário/ público-alvo específico em contextos específicos.
  3. Curador de Conteúdo
    • Responsável pelo processo de organização de conteúdos, selecionando os que mais interessam para o seu público. Isso inclui diferentes formatos, como texto, vídeo, áudio, dentre outros.
  4. Curador Digital
    • Responsável em manter, preservar e agregar valor aos dados de pesquisa digital ao longo de seu ciclo de vida. A gestão ativa dos dados da pesquisa reduz as ameaças ao seu valor de pesquisa a longo prazo e mitiga o risco de obsolescência digital.
  5. Designer UI/UX
    • Responsável pela experiência e navegação dos usuários em multiplataformas como websites e aplicações mobile.
  6. Editor Executivo
    • Responsável por uma editora ou pelo conteúdo de um jornal, livro de uma revista ou de um outro meio de comunicação.
  7. Gestor de Plataformas Editoriais (OJS/OMP/DSPACE)
    • Responsável pela gestão da plataforma por meio de softwares de código aberto com vistas a permitir a mediação de pesquisas para melhorar a qualidade e o alcance da publicação acadêmica.
  8. Indexador (Objetos Digitais)
    • Responsável por definir as estratégias e técnicas de Representação da Informação capazes de assegurar a recuperação de qualquer documento ou informação no momento em que um usuário busca um assunto em um sistema de informação.
  9. Produtor Editorial
    • A tarefa do profissional é desenvolver e coordenar projetos editoriais, nas mídias impressa e digital. Dentro de cada uma, o profissional atua em várias etapas do processo de edição – da seleção de originais à produção gráfica, da consultoria de tendências editoriais à revisão de um produto.
  10. Analista SEO (Search Engine Optimization ou Otimização de Mecanismos de Busca)
    • Para ter uma estratégia de sucesso em marketing de conteúdo você precisa saber como gerar visitas (tráfego) a partir dos motores de busca. De modo geral, o Analista de SEO possui 4 funções principais: 1) Pesquisa de palavras-chave; 2) SEO on-page; 3) SEO off-page; 4) Análise de métricas.

Você pode se perguntar, mais essas atividades não são inerentes a outras áreas? Sim, e Não. São interdisciplinares. São Campos aproximativos da Biblioteconomia, que de alguma forma já são tratados no escopo das Escolas de Biblioteconomia do Brasil. Percebe-se nesse contexto, que o Bibliotecário, até pela sua peculiar formação, se aproxima de maneira singular a estas áreas elencadas.

Com a explosão dos podcasts, videocasts, audiolivros, e-books, revistas digitais e das comunidades de criação e produção de conteúdos digitais em mídias sociais, como os feitos por um tiktoker, instagramer ou youtuber, a presença do profissional bibliotecário é cada vez mais relevante.

Mas é importante pensar que a sua atuação, independente do meio, deve ser pautada pelo princípio da Bibliodiversidade, ou seja, de valorizar dentro do Ecossistema do Conhecimento, todas tipologias de agentes, de formas, expressões socioculturais, conteúdos, distribuição e das línguas dos países do Sul.

Para mais detalhes, assista ao vídeo disponível em nosso Canal: https://youtu.be/aOVV3FTu2FA.

Portanto, ao adentrar a academia ou estar prestes a entrar no mercado de trabalho, é salutar pensar que o mundo editorial, é um caminho real de absorção mercadológica, podendo permitir ao profissional bibliotecário, experiências inigualáveis de Gestão, Organização e Mediação de Conteúdos.

Vamos “abrir o coração” e “expandir a mente” para que consigamos se adaptar as atuais demandas do Ecossistema do Conhecimento.


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