Historicamente a Educação tem produzido inúmeras contribuições e investigações frente aos mais diversos anseios da sociedade. Se levarmos em consideração esse objeto ao contexto do Estado e dos direitos fundamentais garantidos por Ele, em dados momentos teremos contextos de retraimento e em outros de avanços. Assim, teremos uma relação pendular que dar-se-á sob práticas dicotômicas de poder ou de silenciamento entre o Estado e o Povo.
Independente disso, a Educação em suas mais diversas conjunturas, ao longo do tempo também tem produzido notícia e deve ser considerado como tal, dentre muitos motivos por ser essencial como um instrumento comunicacional e que produz informação, conhecimento e que fortalece e estabelece profundas relações cognitivas.
Tomando por base essa assertiva, levanta-se o seguinte problema: Por que a Educação não é noticiada como deveria? ou porque Ela não é tratada verdadeiramente como um objeto estratégico de comunicação e mídia, tendo em vista que é justamente através dela que deveria ser estabelecido o contrato social de uma sociedade.
Portanto, se observarmos os elementos levantados e compararmos ao ato de produzir notícia, vamos concluir que muitos meios de comunicação não estão preocupados em criar espaços de mediação midiática para comunicar o objeto Educação de forma perene, estratégica e articulada a um modelo social de produção de conteúdo. Isso fica cada vez cristalizado em cidades menores ou distante dos grandes centros urbanos. Parece que a educação não é notícia, salvas pequenas exceções, que noticiam esporadicamente informações influenciadas pelas grandes corporações da mídia ou por ações isoladas de maior ou menor proporção. Mesmo assim, quando ocorre, em certa medida a notícia é direcionada ao factoide e não ao fato. Será que não seria hoje hora dos canais de comunicação investirem em “Observatórios Jornalísticos” para promover um debate constante e de longo prazo em torno das vivências e práticas educacionais?
Historicamente temos percebido relatos de gatos ligados a bibliotecas, contudo, muitas vezes esquecemos de fazer os devidos questionamentos sobre as motivações ou cenários para que esta realidade exista. Assim, vale a pena fazer as seguintes provocações:
Qual a relação dos gatos com as bibliotecas?
Por que se fala tanto de gatos nestes locais?
Fazendo rapidamente um olhar histórico, é possível observar que
“a primeira associação com os humanos da qual se tem notícia ocorreu há cerca de 9.500 anos, período superior ao estimado anteriormente, que oscilava entre 3500 e 8000 anos. […] Os gatos sempre foram muito referenciados na cultura popular. Dentre os antigos povos que reverenciavam os gatos, destacam-se as civilizações egípcia, birmanesesa, celta, latina, nórdica, e persa. Todas essas culturas tinham em comum a presença de deuses que apresentavam-se na forma de gatos” (WIKIPÉDIA, 2016, online).
É possível ilustrar esta informação a partir da representação do felino na antiguidade egípcia, conforme mostra-se a seguir:
Figura 1 – Uma estatueta de um gato, feita no Antigo Egito, representando a deusa Bastet, em exposição no Museu do Louvre
Fonte: Wikipedia (2016, online).
Numa perspectiva mitológica, conforme expressam os portais Wikipedia e Felinus (2016, online), os gatos são revelados por meio de várias representações simbólicas onde podiam refletir dentre outras coisas: poder, auto-domínio, concentração, força, sabedoria.
Tendo em vista estas breves informações, é bem verdade que não teremos uma a confirmação de uma tese filosófica sobre a questão, contudo, são levantados fortes indícios de que sua representação simbólica o aproxima de um mundo possível que permite-o se aproximar e conviver com espaços de conhecimento.
Mesmo fazendo este olhar “romântico” para este fenômeno, numa perspectiva mais pragmática, não podemos esquecer que o meio ambiente com o qual o felino está sendo inserido conta muito. Efetivamente, o fato de haver o interesse de alguns e o consequente cuidado de criar as condições necessárias para sua subsistência é muito mais palpável do que qualquer a outra ilação literária.
Mesmo levantando estes olhares, dia a dia encontramos diversas notícias ou histórias de gatos em bibliotecas, dentre elas destacamos o caso do gato “Orlando Teixeira”.
Figura 2 – Gato “Orlando Teixeira”
Fonte: Mário Gaudêncio (2016).
Este gato, batizado de “Orlando Teixeira”, mesmo nome da Biblioteca Central, reside na Universidade Federal Rural do Semi-Árido junto de mais alguns felinos, tendo como função básica, receber os usuários da Unidade de Informação.
Ele é um felino de personalidade exótica, sendo ao mesmo tempo carinhoso e possessivo, atencioso e vigilante, curioso e autodidata.
Se ele pudesse, estaria todos os dias no atendimento ou no meio do acerto, ajudando aos seus usuários.
Talvez por isso que ocorrências como esta possibilitem “iluminar” histórias literárias ou jornalísticas.
Este mundo real, reflete em possibilidades fantásticas, onde o literário possibilita singulares ressignificações como é o caso da obra “Um gato entre os livros” de Vicki Myron (2008). Nesta obra observamos a seguinte sinopse:
A rotina da pacata cidade de Spencer, Yowa, Estados Unidos, se transforma após Dewey, um gato, ser encontrado na Biblioteca Pública. […] é a história real de um gato que fez da biblioteca – e da cidade de Spencer – sua casa e de seus habitantes, os melhores amigos (LIVRARIA CULTURA, 2016, online).
Figura 3 – Capa da obra “Dewey”: um gato entre livros
Fonte: Livraria Cultura (2016)
Outro caso que podemos citar é o do “Bibliotecário Gato Pintado” (ver figura 4), imortalizado no Programa Infantil “Castelo Rá-Tim-Bom”. Aqui o apresentamos através do episódio 80, intitulado “Dicionário“.
Figura 4 – Bibliotecário “Gato Pintado”
Fonte: Cultura Banco do Brasil (2015, online)
Assim, vamos vendo simbolicamente o quão tem sido importante a figura dos gatos enquanto figura do saber. Ainda enquanto ao “Gato Pintado”, podemos compreender a sua bela natureza a educação ao ouvirmos a música “Felino Sabidão“, composição de Fernando Salem e Luiz Macedo, além da interpretação do Ed Motta.
[…] Morando dentro da biblioteca do castelo, Gato é apaixonado pela arte escrita e costuma passar seu tempo lendo os livros que tanto gosta ou contando os mesmos na biblioteca de forma rígida. Quando alguém quer um livro, deve consultar com ele, pois ele tem um controle de quem pode ou não tirar os mesmos de lá. […]. Wikipedia (2016, online).
Numa perspectiva jornalística e jurídica temos o caso do gato “Browser” que mora na Biblioteca Pública da “cidade americana de White Settlement, no Texas” que provocou uma mobilização social sem precedentes em virtude ter sofrido uma ação judicial pública para deixar a Biblioteca. Este caso por sua vez, proporcionou um parecer favorável a Biblioteca e consequentemente ao gato Browser.
Figura 5 – “Browser” mora na biblioteca pública há seis anos
Fonte: John L. Mone (apud G1, 2016, online).
Levando em consideração as histórias anteriores, este blog recebeu ilustres contribuições de colegas bibliotecários/as, dentre as quais apresentamos os seguintes relatos:
– Gata “Gata” da BCZM
Ela é considerada a grande mascote da Unidade de Informação. A sua elegância e beleza é tamanha que terminou conquistando todos/as que passam pela Biblioteca Central Zila Mamede na UFRN,talvez por isso que a mesma foi batizada de “Gata”.
Figura 5 – A “Gata” sobre o catálogo online da BCZM
Fonte: Alves (2013, online).
Na visão do Bibliotecário Fernando Antonny Guerra Alves,
E então… no fim do expediente (quase fechando a biblioteca – BCZM), a usuária mais “GATA” surge: 1) Primeiro consulta o catálogo e cadastra-se no sistema; 2) Vai às estantes a procura de seu livro […]; 3) Enfrenta a fila para o empréstimo; 4) Aguarda a sua vez […]; 5) No atendimento esbanja simpatia com os nossos funcionários! Espero q tenha ficado satisfeita com nossos serviços! Rsrsrsrs! (ALVES, 2013, online)
Após o seu surgimento, seria possível pensar as relações de trabalho sem a sua presença? Parece que não.
– Gato Bóris
Não muito longe do caso da “Gata”, está “Bóris”, que apesar de não viver em uma biblioteca, vivia entre os livros e fazia a alegria de um sebo e de seus visitantes na cidade Curitiba.
Figura 6 – Gato “Bóris”
Segundo a Bibliotecária Eve Saad:
Aqui em Curitiba, tínhamos o famoso gato Bóris (que nos deixou em fevereiro, ao ser atacado por um cachorro na rua). Ele “morava” em um sebo, no Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba. Sempre saía para dar uma voltinha pelo Largo e voltava ao sebo […] (SAAD, 2016, online).
Apesar desta tragédia, “Bóris” deixou um ensinamento, “conviva sempre com conhecimento!”.
Diante dos relatos e das questões levantadas e observadas, vemos na prática que as experiências com os gatos em bibliotecas e/ou espaços do saber, efetivamente apenas ocorreram por dois motivos básicos: 1) Pelo fato de alguém cuidar ou adotar; 2) Em virtude de questões ambientais, onde os mesmos são atraídos por comida.
Agora, é bem verdade que ao passo que eles se aproximam das bibliotecas e/ou espaços do saber, eles promovem dois sentimentos dicotômicos junto aos humanos, ou seja, Amor ou Ódio. Não existe meio termo nesta relação. Mas quando eles são bem acolhidos por estes espaços e pessoas, certamente terão uma grande chance de se tornar mascotes institucionais.
GATO Bóris. 2016. Comentário de post recebido de Eve Saad através do Grupo de Discussão do Facebook Biblioteconomia Brasil. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/bibliobrasil>. Acesso em: 08 ago. 2016.
Escrito originariamente por Sara Polo Adaptado por Mário Gaudêncio
A Aldeia de Quintanalara, em Burgos na Espanha propõe um modelo de comunidade que deveria ser tomado como exemplo ou caso de sucesso para o Brasil, especialmente porque vivemos um cenário onde, apesar do Estado ter promulgado uma lei que propõe universalizar as bibliotecas no Brasil até 2020, o que temos é uma prática contraditória, onde os governantes não entendem as bibliotecas como espaços estratégicos de educação continuada e promotoras do desenvolvimento.
Diferente da realidade brasileira, a comunidade de Quintanalara na Espanha tem 33 habitantes, 4 ruas, 1 biblioteca e 16.000 livros. Isso mostra que uma sociedade se faz mediada por livros e valorização do saber.
Uma posição singular da comunidade, que conseguiu colocar a sua população no “mapa da inovação”, especialmente por possibilitar o surgimento de uma “biblioteca aberta 24 horas, 365 dias por ano”, conforme afirma Polo (2016, online).
Um outro diferencial do projeto idealizado pela aldeia de Quintanalara, é que a biblioteca utilizará o modelo Bookcrossing(veja o caso brasileiro). Por esse motivo, a Rede Espanhola de Bookcrossing (veja o caso de Quintanalara).
Para acessar a reportagem na íntegra, leia a notícia no Jornal El Mundo.
O Ebrolis (Blog de notícias e curiosidades para os amantes dos livros), publicou um post apresentando as 11 razões para escutar audiolivros. Em virtude disso, seguem as informações traduzidas e adaptadas a partir do texto em espanhol:
Possibilita a leitura de inúmeros livros que existem;
Pode escutar enquanto faz outras coisas;
Pode ser uma atividade conjunta;
Pode escutar enquanto está “morto” de cansado;
São perfeitos para uma “viagem literária” rápida;
Permite aprender ou melhorar o teu nível em outro idioma;
É Fácil de comprar ou acessar;
Permite desfrutar dos livro de maneira diferente da habitual;
Permite você descobrir novos gêneros ou a entender os clássicos;
São relaxantes;
Aproxima a leitura de pessoas com dificuldades visuais.
Para maiores detalhes e se tenha curiosidade pela íntegra do texto, acessar o post.