Biblioteca Nacional publica edital para coedições

por Mário Gaudêncio

A Fundação Biblioteca Nacional lançou edital para estabelecimento de parcerias e coedições.

Segundo a Biblioteca Nacional (2015, online), “O edital visa a formação de parcerias para desenvolvimento de projetos editoriais sob a forma de coedição, para promover publicações de relevância para a cultura brasileira, na forma de livro ou revista, impresso e/ou digital. O propósito é divulgar, valorizar e ampliar o acesso ao patrimônio bibliográfico, iconográfico, sonoro e digital da Fundação Biblioteca Nacional, além da produção intelectual produzida sobre práticas laborais, de pesquisa e acervos sob a guarda da instituição”.

Baixe o edital para analisar as peculiaridades desta chamada pública.

Para informações, acesse a site da BN.

A Terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos: uma releitura do texto literário em realção à sociedade

Sale Mário Gaudêncio
Marcel Lúcio Matias Ribeiro

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Segundo Ramos (apud Lajolo e Zilberman, 2005, p.44) “não tentei cair em três armadilhas comuns nas histórias infantis de que me lembro: na de tom piegas ou sentimental; nenhuma referência concreta ao chamado mundo real (é um conto ‘maravilhoso’); nenhuma distinção precisa entre crianças e adultos”. Graciliano promove olhares infanto-juvenis a partir de inquietações que precisam ser comungadas. Às vezes, leituras ficam sobre as cortinas de fumaça que impregnam o viver nordestino, sufocando as entrelinhas que devem ser regojizadas. De acordo com Lajolo e Zilberman (2005, p.67) “De um modo ou de outro se enraíza uma tradição – a de proposição de um universo inventado, fruto, sobretudo da imaginação, ainda quando esta tem um fundamento social e político”. Para tanto, por que escrever uma obra infante onde tem como protagonista do enredo um menino da cabeça pelada, com olhos de cores díspares? Por que um menino diferente de todos? Por que a vergonha para uma criança? Assim, é Raimundo “pelado”.

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REFERÊNCIA

GAUDÊNCIO, S. M. ; RIBEIRO, M. L. M. . ‘A Terra dos Meninos Pelados’ – Graciliano Ramos: uma releitura do texto literário em relação à sociedade, 1., In: COLÓQUIO NACIONAL DE LINGUAGEM E DISCURSO, 2008, Mossoró-RN. Anais… Mossoró-RN: UERN, 2008. p. 1-10. Disponível em: <http://anaisdoconlid1.blogspot.com.br/2011/09/grupos-de-trabalho-gts-gt-1.html>. Acesso em: 14 jul. 2013.

Cai à chuva, desaba Mossoró

Chuva que cai em Mossoró,
é torrencial.
Um toró,
infinitamente descomunal.

A realidade da terra do sol e do sal
Deixa de ser incandescente
A mente, de quente
a uma opacidade estridente.

Névoa, cegueira e buracos.
Presenciamos uma insanidade aquática,
amarga que deixa a cidade aos trapos.

Se chuva é entendida como benção,
Em Mossoró é concebida como maldição,
Os governantes delas não gostam, fica a destruição.

Mário Gaudêncio e Hiara Câmara
Lampejos tardios de um inverno invisível.
Mossoró, 20 de abril de 2013.

Representar

Representar a informação,
é uma arte, uma disciplina ou técnica?
Na verdade, é magia.
É uma forma de manifestação.

A representação transforma
Linguagem natural
numa surpreendente
Forma de Linguagem artificial.

Linguagem que se transforma,
Em tesauros e vocabulários
em glossários e classificações bibliotecárias.

Representar é organização,
favorece a preservação da memória
e potencializa a disseminação.

Mário Gaudêncio
Parnamirim, 25 de outubro de 2011
Homenagem a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

NUTSECA

NUTSECA
Nutre-se da seca
Seca que nutre
Núcleo de seca.

Sertão semiárido
Que serpenteia a vida
Aperreia a fome
E entristece a lida.

Sertão que alegra o povo
E é alegria do novo
Quando o grande verde é vigoroso.

Sertão de bela cor
De grandes chamegos
E de infinitos juninos festejos.

Mário Gaudêncio (24 de outubro de 2011).
“Escrito dentro do ônibus com trajeto de João Pessoa para Natal”.
Homenagem ao Núcleo Temático da Seca da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Escrito para as comemorações da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, 2011.

É dia de lua

Em noite de lua cheia.
O céu e as estrelas brilham,
Os ventos sopram
Os espaços nos encantam
O mato cheira.
Os passarinhos cantam
A vida por um instante
Torna-se mais bela
Irradiante, Estonteante.

Vejo na minha frente…
A púrpura das nuvens
A áurea das luzes
A sombra da taipa
A cheiro da terra
O sopro do vento na vela
A fumaça do candeeiro
A paixão provocada todo dia
e o ano inteiro
Pelo pensamento
ou ação da Dama ou do cavalheiro.

Irradia também
Aquele que muitas vezes está aquém
O trabalhador da lida,
Que pega na enxada e só quer fazer o bem
Cultivar, plantar, colher e viver também.

Ô! Irradiante
Quando contemplas aquele momento
Parece como sendo “quase” o último.
Último de minha vida.
Naquele momento não falta mais nada.
O tempo pára.

Pois o homem e a mulher ao passo que irradiam-se,
Pensam e imaginam de novo,
Que, não falta mais nada.
O tempo pára.

Ali,
Naquele pouco instante
Que para mim torna-se uma eternidade,
Vejo apenas beleza e bondade,
Alegria e fraternidade.
Nada de morte, tristeza nem vaidade.

Por um instante, estou na terra prometida,
Prometida, para aqueles e aquelas que fazem o bem.
Bem ao espaço, ao meio e ao ambiente também.

Ô! Minha linda.
“My beatiful moon”.
Ostento-te, ilumina-me, embeleza-me.
Torna-me como algo que seja teu, seja tua,
Grande lua.

Que eu seja para ti,
Assim como o Tom está para a música
E a música para o Tom.
Que seja uma bonita música,
Assim como aquelas que sai do triângulo,
da zabumba e do acordeom.

Ai! Como devíamos nos aprouver da natureza,
da lua, como algo de presteza, de muita riqueza.

Tenho toda a certeza que depois deste momento
onde pude encontrar-te
devo sobre tudo,

Amar-te, respeitar-te e contemplar-te.
Como algo infinitamente… bela … e infinitamente nossa.

Mário Gaudêncio (Escrito em: 23 de fevereiro de 2005,
iluminado pela luz de candeeiro).