Novo Qualis/Capes

por Mário Gaudêncio

No intuito de tomar mais didático os documentos que orientam os novos estratos Qualis/Capes, construímos uma tabela orientativa para estruturar as categorias, níveis de classificação e os índices bibliométricos a serem utilizados a partir do processo de produção de conteúdo e da comunicação científica dos pesquisadores brasileiros.

Assim, temos:

Fontes: Adaptado de Capes (2019, online).
  • Qualis Artístico-cultural e Qualis Eventos

Conceito: Segundo a Capes (2019), é um sistema usado para classificar a produção dos eventos científicos e das produções artísticas e culturais.

Nível de classificação: Segundo a Capes (2019), sugere-se o uso do mesmo indicador de qualificação já empregado nos demais Qualis da Capes, sendo A1 (mais elevado) até C (peso zero).

Índice bibliométrico: De acordo com a Capes (2019), adicionalmente para eventos científicos, também serão adotadas medidas bibliométricas mostrando a relevância dos resultados publicados por meio das bases de dados: Scopus (CiteScore), Web of Science (Fator de Impacto) e Google Scholar (Índice h5).

  • Qualis Livros

Conceito: Segundo a Capes (2019), é um sistema usado para classificar a produção científica de livros.

Nível de classificação: Para Capes (2019) são atribuídas notas, conforme temos: L1 (elevada qualidade), L2, L3, L4, L5 (menor qualidade) e LNC (não classificado seria atribuído a possíveis itens incluídos pelos Programas de Pós-Graduação, mas que não atendem os requisitos que definem um livro, podendo ser cartilhas, material didático, etc.

  • Qualis Técnico/Tecnológico

Conceito: Segundo a Capes (2019), é um sistema usado para classificar a produção técnica/tecnológica científica.

Nível de classificação: A Capes (2019) sugere: T1 (para mais elevado), T2, T3, T4 e T5 (Ex: 10 pontos – Em relação aos produtos que apresentarem melhor avaliação); TNC – Produto não pontuado.

REFERÊNCIAS

CAPES. Qualis Periódicos e classificação de produção intelectual. Brasília: Capes, 2019. Disponível em: https://bit.ly/38aaoMy

CAPES. Aprimoramento do processo de avaliação da pós-graduação. Brasília: Capes, 2019. Disponível em: https://bit.ly/2wcGoCz

CAPES. Proposta de Classificação de Livros. Brasília: Capes, 2019. https://bit.ly/3aaVPdd

CAPES. Qualis Artístico / Classificação de Eventos. Brasília: Capes, 2019. https://bit.ly/3a5Rg3U

CAPES. Produção Técnica. Brasília: Capes, 2019. https://bit.ly/3a9gfTK

Google prepara detector de plágio

por Mário Gaudêncio

O portal de notícias, Publimetro (2019, online) informou que o Google vem trabalhando em um novo serviço. Trata-se de uma ferramenta para detecção de plágios. Em fase Beta, o software Assignments, irá ser adicionado a ambiente digital conhecido por G Suite for Education.

O Publimetro notifica que:

O programa combina aspectos do Google Docs, Google Drive e Pesquisa do Google em uma nova ferramenta que se concentra na criação e gerenciamento do trabalho escolar, incluindo o processo de coleta, qualificação e feedback, e agora, também, a capacidade de verificar plágio (PUBLIMETRO, 2019, tradução nossa, online).

Por fim, salienta-se que a ferramenta será lançada de forma gratuita a partir da plataforma supracitada.

REFERÊNCIAS

PUBLIMETRO. Google lanza nueva herramienta que ayudará al profesor a detectar el plagio. Disponível em: https://bit.ly/2lP4aiO.

GOOGLE. Promova a aprendizagem com o G Suite for Education. Disponível em: encurtador.com.br/dqwN5.

GOOGLE. Assignments: atribua notas de forma rápida e dê feedbacks importantes para os alunos. Disponível em: encurtador.com.br/qA168.

O que é ABINIA?

Mário Gaudêncio

Esta Entidade, em sua história recente é construída a partir do final da década de 1980, onde esta é concebida como:

Associação de Bibliotecas Nacionais da Ibero-América (ABINIA), fundada no México em 14 de dezembro de 1989, é um fórum inter-regional que reuniu as 22 Bibliotecas Nacionais da América Latina. Em outubro de 1999, o ato constitutivo que lhe confere o caráter de uma Organização Internacional é aprovado em Lima, Peru, com uma nova denominação: Associação dos Estados Ibero-Americanos para o Desenvolvimento das Bibliotecas Nacionais da Ibero-América, mantendo o nome de ABINIA. Até junho de 2002, o ato constitutivo foi ratificado por 10 países da América Latina (ABINIA, 2019, tradução nossa, online).

Atualmente, são signatários e membros da ABINIA (2019, online), seguintes países:

  1. Cuba;
  2. Equador;
  3. El Salvador;
  4. Espanha;
  5. México;
  6. Nicarágua;
  7. Panamá;
  8. Paraguay;
  9. Perú;
  10. Venezuela.

Curiosamente, o Brasil não aparece no site da ABINIA na condição de membro, apesar de que a Biblioteca Nacional evidencia a sua presença por meio dos “os fóruns multilaterais e dos acordos de cooperação e parcerias” (BIBLIOTECA NACIONAL, 2019, online).

Vê-se que a importância da ABINIA (2019, tradução nossa, online) para região pode ser observada por dos seus objetivos, conforme lemos:

  1. Coletar e manter informações atualizadas e retrospectivas nas Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas;
  2. Realizar as etapas necessárias para aumentar a conscientização sobre a importância do patrimônio bibliográfico e documental dos países membros;
  3. Adotar políticas, estratégias, padrões e programas de treinamento para a preservação de coleções nacionais de bibliotecas;
  4. Adotar padrões técnicos compatíveis que garantam controle bibliográfico, facilitam o intercâmbio de materiais e informações e a automação dos sistemas de informação;
  5. Desenvolver fontes de referência nacionais e regionais que incentivem a pesquisa, o estudo e o intercâmbio de informações;
  6. Vincular bibliotecas nacionais a outras bibliotecas, bem como redes e sistemas de informação existentes;
  7. Divulgar coleções através de catálogos, edições e exposições;
  8. Apoiar o treinamento acadêmico e os programas de treinamento em serviços destinados a atualizar e melhorar os recursos humanos das bibliotecas nacionais, bem como o treinamento dos usuários;
  9. Troca de experiências e realização de pesquisas conjuntas sobre problemas inerentes às bibliotecas nacionais;
  10. Prestar assistência técnica aos membros que solicitarem;
  11. Gerenciar a obtenção de recursos financeiros, materiais e humanos que contribuam para a consolidação e modernização das coleções e serviços das bibliotecas nacionais e que permitem a realização de programas cooperativos;
  12. Realizar qualquer outra atividade que as Partes decidam, de comum acordo, realizando em conformidade com es documento

Diante do exposto, entende-se que a presença do Brasil na ABINIA é estratégica para o país e à Rede Ibero-Americana, especialmente pela sua natureza mútua de cooperação internacional, onde o resultado possível é desenvolvimento sociocultural dos países de língua espano-portuguesa.

Para mais detalhes sobre a ABINIA, acesse aqui.

REFERÊNCIA

ABINIA. Objetivos de la Asociación. Disponível em: http://www.abinia.org.

ABINIA. Situación actual de la Asociación. Disponível em: http://www.abinia.org.

BIBLIOTECA NACIONAL. Acordos de cooperação e parcerias. Disponível em: https://www.bn.gov.br/sobre-bn/acordos-cooperacao-parcerias.

Literatura de cordel: patrimônio cultural brasileiro

por Mário Gaudêncio

É sabido que historicamente a literatura de cordel emerge e se consolida no Brasil a partir da região nordeste, seja em virtude da conjuntura social que se tinha na época ou pela lacuna cultura que se fortalecia cotidianamente em virtude do que se vinha sendo produzido no país em certa medida não refletir os anseios do povo do nordeste.

Ao longo de todo esse tempo, especificamente a partir do final do século XIX, a literatura de cordel tem passado por inúmeras transformações, sejam elas estéticas ou editoriais. Viveu o momentos de ascensão, declínio e adaptação ao mundo pós-moderno.

Hoje, ao olhar para o passando, percebe que a sua natureza simbólica e estética evoluiu como uma possibilidade cultural que transcende a discurso raso a respeito do seu lugar na memória coletiva do povo brasileiro.

O cordel tem se mostrado como uma forma de expressão contemporânea que transcende limites ou barreiras. É um instrumento que a todo momento interage com a cultura e a sociedade. Influencia e é influenciado. Não é a toa que o traços da literatura de cordel podem ser encontrados na nas mais diversas manifestações de arte.

Neste sentido, isso nos leva a considerar que a literatura de cordel chegou a um patamar onde não se tem mais espaço para estigmatizá-la como subliteratura ou que ela produz apenas artefatos rudimentares de uma tradição iletrada.

Ao contrário disso, ela vai muito mais além, mas que em essência, sempre esbarrou no poder simbólico nas relações institucionalizadas que, de maneira sectária segregou a literatura de cordel a uma cultura que deveria ser entendida no máximo como popular.

Isso vai de encontro ao que se entende por cultura, onde o ato de hierarquizar contribui diretamente para segregar, um povo, uma forma de pensar, um meio de manifestar.

É esperado que, com o parecer do IPHAN, mesmo que tardiamente reconhecido, é importante a literatura de cordel enquanto patrimônio cultural brasileiro, que também sejam pensadas políticas públicas além da salvaguarda das produções intelectuais, mas que se tenha em vista solucionar questões ainda distantes de ser equacionadas, como:

a) Contrapor o discurso cristalizado de que o cordel é uma subliteratura;

b) Que sejam criadas políticas afirmativas econômicas de apoio a subsistência humana dos cordelistas, pois dificilmente estes conseguem viver das suas produções intelectuais;

c) Que se perceba a necessidade e importância de criar uma política cultural frente ao processo produtivo a partir de um mercado editorial capaz de editar, divulgar, distribuir e comercializar as obras intelectuais dos poetas com ética e lisura;

d) Que sejam definidas estratégias para que os familiares possam usufruir da propriedade intelectual dos cordelistas após seus falecimento.

É bem verdade que, a luta pela preservação da memória coletiva e democratização do acesso aos conteúdos originários dos cordéis alcançaram avanços significativos, seja em meio analógico (impresso) ou em ambiental digital (caso dos cibercordéis), contudo, ainda há um percurso longo a fazer, especialmente quando se remete a dar voz àqueles são silenciados, dentro ou fora do próprio domínio ou rede social.

Portanto, vê-se como salutar e necessário, o reconhecimento institucional do IPHAN para essa fonte informação (complexa e inesgotável), todavia, é de extrema importância que essa chancela seja o início de uma virada cultural no Brasil para um gênero que precisa ser antes de qualquer coisa, reconhecido como uma faceta literária sem insinuações de reducionismos positivistas ou relativismos que contribuem negativamente para uma retração e limitação na forma de vê o mundo a partir dos ditos cânones.

O momento é de oportunizar a diversidade e pluralidade cultural e estreitar os laços entre os mundos literários, podendo assim, vir a reduzir o frágil e limitado discurso em torno da relação, que ao meu ver é insipiente, entre a ideia de cultura erudita versus cultura popular.

Esquecimento cultural: o Museu Nacional é a ponta do iceberg

por Mario Gaudêncio

Historicamente a cultura sempre foi relegada a segundo plano, seja por meio das suas políticas públicas ou através dos seus direcionamentos enquanto valorização às suas práticas.

O Brasil é um país pluricultural, mas que em essência suas maneiras de expressão, quando não são do interesse do poder hegemônico e da comunicação de massa, tende a cair em um silenciamento e consequentemente em um potencial esquecimento direcionado e proposital.

Vale salientar que, o que vivenciamos hoje de prejuízos à cultura brasileira, são acontecimentos que desdobraram por meio de uma complexa rede de inaptidão política e administrativa, aliado ao plano de deixar na penumbra tudo o que é originariamente nascido no Brasil.

Desde a ocupação do Brasil em 1500, que a prioridade é valorizar e importar o que vem fora ou ir em busca dos valores aos grandes centros além-mar. Foi assim no período colonial, no momento da velha e da nova república, na ditadura militar, na redemocratização após 1984 com as Diretas Já, com a abertura comercial a partir de 1992 e por com o início do século vigente.

O que foi a Semana de Arte Moderna de 1922, o Tropicalismo e o Movimento Armorial no Brasil? Em síntese, foram movimentos que lutaram pela valorização da cultura nacional.

Década após década, o Brasil sempre relegou a cultura nacional a poeira e ao pó, ou seja, a quase nada em termos importância da sua materialidade. Isso não é diferente com os equipamentos culturais, todos em essência são relegados aos “porões” da política cultural.

Os últimos anos tem sido prova disso, de um Estado que não está minimamente preocupado a sua própria memória social e que seus lugares de memória não são importantes para o desenvolvimento da nação. Quanto tempo faz que o Butantã foi incendiado? E o Museu da Língua da Língua Portuguesa? Agora, tudo é reverberado também no Museu Nacional?

Um dos mais importantes equipamentos culturais do Mundo vai ao chão! Simbolicamente, poderíamos comparar a queda do Museu com declínio da democracia e cidadania brasileira vigente, onde o Estado vai ao mesmo tempo, jogar por terra a célebre expressão terminológica de que o governo é feito e deve estar a serviço do povo.

O Direito a cultura é uma prerrogativa inalienável é fundamental instituída na Declaração Internacional de Direitos Humanos e ratificada pelo Brasil através da Constituição de 1988. É dever do Estado e direito do cidadão ter as suas manifestações culturais preservadas, assim como ter acesso a fruição, lazer e entretenimento à equipamentos culturais que contam garantem viva a história evolutiva do seu povo.

Se por um lado é triste saber que as pessoas visitaram mais o Museu do Louvre do que o Museu Nacional do Brasil, por outro, isso é reflexo da ausência de políticas públicas de valorização do patrimônio material e imaterial e em virtude de haver no Brasil um movimento contínuo de aprofundamento de minimização do sentimento de pertença e identidade cultural.

Adiciona-se a isso o sentimento eurocêntrico e estadunidense de parte da população que detêm o capital e que reverbera às classes empobrecidas por este poder hegemônico. É o mesmo grupo patriarcal e secular é contra a imigração dos povos vizinhos em situação de vulnerabilidade social, mas é favor de emigrar aos países da Europa e da América do Norte, relegando aos empobrecidos desigualdade e exclusão social. A estes o Brasil serve apenas para expropriação de suas riquezas.

Essas são algumas das posturas e práticas culturais que estão nesse emaranhado, nesse caldo cultural conflituoso entre “incluídos” e “excluídos”.

Portanto, infere-se que o caso do Museu Nacional é potencialmente apenas a ponta do iceberg de um problema cada vez mais difuso e líquido deste mundo pós-moderno onde o livre mercado dita as regras do jogo. Isso tudo que vemos atônitos é o reflexo de um projeto de Estado que tentará se perpetuar no poder nos próximos 20 anos, tendo um dos princípios básicos, a desvalorização da cultura em todas as suas dimensões.

Com esta última tragédia cultural, abre-se espaço para o fortalecimento da luta em defesa da cultura, através dos seus lugares de memória, com olhares mais lúcidos críticos, pensando-os como ecossistemas culturais estratégicos de desenvolvimento social, cultural, informacional e memorial.

É muito mais barato ao Estado investir em uma democracia participativa e uma cidadania ativa por meio da sua dinâmica e práticas culturais do que em gastar dispendiosamente em regalias que não contribuem em nada para solidificação de um povo, que a este chamamos de Brasil.

Ficarei intensamente torcendo para que esta lista de crimes culturais tenha acabado, pois tenho que receio dê se tenha sequência ao que conhecemos hoje por Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional, IBRAM, IPHAN, a Fundação Joaquim Nabuco, Fundação Casa de Rui Barbosa, Bibliotecas, Museus e Arquivos nas suas mais diversas naturezas, dentre outros inúmeros equipamentos culturais que podem se tornar vítimas do esquecimento cultural brasileiro, seja em nível federal, estadual ou municipal.

Educação versus mídia

Por Mário Gaudêncio

Historicamente a Educação tem produzido inúmeras contribuições e investigações frente aos mais diversos anseios da sociedade. Se levarmos em consideração esse objeto ao contexto do Estado e dos direitos fundamentais garantidos por Ele, em dados momentos teremos contextos de retraimento e em outros de avanços. Assim, teremos uma relação pendular que dar-se-á sob práticas dicotômicas de poder ou de silenciamento entre o Estado e o Povo.

Independente disso, a Educação em suas mais diversas conjunturas, ao longo do tempo também tem produzido notícia e deve ser considerado como tal, dentre muitos motivos por ser essencial como um instrumento comunicacional e que produz informação, conhecimento e que fortalece e estabelece profundas relações cognitivas.

Tomando por base essa assertiva, levanta-se o seguinte problema: Por que a Educação não é noticiada como deveria? ou porque Ela não é tratada verdadeiramente como um objeto estratégico de comunicação e mídia, tendo em vista que é justamente através dela que deveria ser estabelecido o contrato social de uma sociedade.

Portanto, se observarmos os elementos levantados e compararmos ao ato de produzir notícia, vamos concluir que muitos meios de comunicação não estão preocupados em criar espaços de mediação midiática para comunicar o objeto Educação de forma perene, estratégica e articulada a um modelo social de produção de conteúdo. Isso fica cada vez cristalizado em cidades menores ou distante dos grandes centros urbanos. Parece que a educação não é notícia, salvas pequenas exceções, que noticiam esporadicamente informações influenciadas pelas grandes corporações da mídia ou por ações isoladas de maior ou menor proporção. Mesmo assim, quando ocorre, em certa medida a notícia é direcionada ao factoide e não ao fato. Será que não seria hoje hora dos canais de comunicação investirem em “Observatórios Jornalísticos” para promover um debate constante e de longo prazo em torno das vivências e práticas educacionais?