Cavalo alado

Ao senhor “Campina”.

Nos lampejos do sertão “asertanejado”,
subi no meu cavalo alado,
saí da minha terrinha Seridó,
passei em Lages, no Trampolim da Vitória…
Meu objetivo era chegar na lua de São Jorge.

Meu cavalo é bonito, um pouco loiro,
um tanto rajado.
Tem a força de um touro,
coragem de onça pintada e alma de corsário grego,
igual a aqueles que tinha no passado, cultuado como ouro.

Sei que dizem por aí…
Olha, lá vem um “bangalô” sem dentes,
“manga curta”, sem estirpe, sabe como é!
mas é o meu cavalo alado, um cabra decente,
que por onde passa deixa todos de cabelo em pé.

É verdade que, vez ou outra,
ele ficava meio bisonho,
um pouco gerico,
mesmo assim,
era o meu querido quadrúpede fuxico.

Mário Gaudêncio (06/06/2007).

Penélope

Dizem por aí…
que a Penélope de hoje
é totalmente difere
daquela de ontem.

Não sei se tudo isso é…
em função do que foi vivido antes
frente ao que é feito atualmente!
Creio que sim,
mas, a função da Penélope
não será mesma para dois casos?

Bom!
Entre o antigo ou pós-moderno,
uma “coisa” fica,
são encontradas muitas desculpas
para privilegiar o lado Vênus , intrínseco em cada um,
mas, pouco despertado no jeito responsável
de ser uma Penélope.

Mário Gaudêncio (06/06/2007).

Meu Pai, nosso Pai

Ô meu Pai!
Ajuda-me a entender as pessoas
A perdoa-las, a ama-las.

Ô minha mãe!
Daí aos indivíduos a certeza da vida sobre a morte!
Faz com as pessoas entendam que pastoral não é obrigação,
Mas um espaço de fortalecer
o sentimento de ternura união e perdão.

Jesus Cristo!
Faz com a nossa caminhada seja cada vez mais forte e intensa
Que os problemas existentes
sejam menores do que as soluções que temos para eles
E que a nossa necessidade de construir
com uma vida mais bela seja a cada dia mais presente

Meu Deus do céu, da terra e do mar.
Daí-nos à vontade de sermos agentes multiplicadores
para a promulgação de uma sociedade:
Justa, fraterna, amiga, equilibrada,
terna, mansa, cristã, caridosa, bondosa,
honrosa, cooperativa e militante.

Deus Trino!
De ti, herdamos,
O livre arbítrio, a responsabilidade de sermos
homens e mulheres de fé
e ainda de contribuir para um mundo mais solidário.

Meu Deus do céu, da terra e do mar.
Cravados no sertão, no campo ou na cidade,
Devemos estar sempre à frente deste mundo
tão desigual e contribuir para que ele torne-se quase igual.

Ô Deus trino
Que da terra aos céus, olha-nos
Que ajuda-nos a não cair em tentações
Que zelas por nós
Que sóis nosso eterno protetor
Que olhas e rezas pelos nossos pecados
E fazes com que a cada dia
sejas mais e mais nosso grande redentor

Amém, Axé, Awerê, Aleluia.

Mário Gaudêncio (21 de julho de 2001).

Tudo isso porque te vejo!

Da alma brota o íntimo.
do coração, a sensibilidade,
do cérebro, o pensar,
do corpo, a afetividade,
das mãos, o carinho,
dos ouvidos, o burburear,
dos braços, o proteger,
dos olhos, o contemplar,
dos dedos, o tocar,
da vontade, o querer,
da boca, o beijar,
do paladar, o deliciar

ENFIM…

De ti o amor,
Amor ardente que queima,
sem o mínimo de clamor.
É como uma grande fogueira,
Que propaga a chama do ardor,
da paixão, do amor.

Mário Gaudêncio. (Parnamirim, 14 de abril de 2006).

Um pequeno instante eterno

Com ausência de sono
e a marcado pela incerteza
de uma resposta indesejada,
a loucura massageia o coração,
aquieta o espírito
e ordena que a escrita
seja a única forma de rasgar o verbo
e manifestar o instinto desejado.

No corrido dia,
da festiva noite,
de luar pernambucano,
sinergia baiana
e hospitalidade de palmares,
registrou-se um momento!
Marcou-se o tempo…
o fleche explodio.

Aquilo que parecia
ser imperceptível
torna-se público
e esperadamente
um fato desejado.

Constata-se outrora,
a dúvida e o receio.

Mesmo assim,
olhares místicos exalam!
Subitamente um instante
é eternizado por uma cumplicidade
inexplicável frente a caricata
vida humana terrena.

A estática fotografia
mostrou que a qualquer segundo,
marcar-se-ia a história
de duas personalidades
que implicitamente desejavam-se
sobre a perfeita “astúcia”
da vibrante ternura soteropo-tiguar.

Marca-se no exclamar…
o flagrante amar,
a súplica pelo falar,
a vontade do tocar
e a agonia para te tomar.

O ambiente (bar) não é tão belo,
mas com o calor que há sobre teu corpo
e a emoção do pulsar de tua alma,
certamente, existirá beleza
e magnetividade para atrair um cúmplice.

Neste público-privado momento,
ainda que queira,
não pode haver publicização
do introspectivo,
que sente vontade
de expulsar sobre gritos despudorados
a infinita alegria
de adocicar a boca
com um doce
conhecido por paixão
e um chocolate
com a marca, amor.

Mário Gaudêncio (16 de setembro de 2007 – 4h da manhã – Palmares/ PE).

Potira, Poti

Menina sempre Poti.
Cachos, caracóis em ti, vi.
Quero que venha me sentir.

Cara Potíra, Poti,
“virgem dos lábios de mel”
que a tupã,
nos vai representar junto ao céu
e com cheiro de romã
és beleza que provoca até o mais sério menestrel.

Potíra, querida poti.
Nunca vais sem mim,
pois sem ti,
nunca conseguirei “vim”
e ser um pouco de ti.

Mim sou eu.
Ti es tu.
Sem tu não sou eu.
Sem ti, ficarei nu.
Contigo serei eu.
Pra sempre seu.

Bela…
Terna…
Potíra.

Mário Gaudêncio (04 de dezembro de 2007).