Abuso de pudor

Quando no nada
não se ouve fala,
surgem pessoas
que me calam.

Se paz eu esperava,
tudo a frente se mostrava.
Pensei: De boca aberta babando ficava
ou: discreta ou indiscretamente atuava?

Eles, eroticamente queriam se mostrar
por um copioso e abusado momento atuar.
onde: sem lenço nem documento queriam se apresentar.

Êxtase e ousadia,
na maior tranquilidade,
eles, em um grande affair se entrelaçariam.

Mário Gaudêncio, 03 set. 2019.

Quanto vale um livro?

Por Mário Gaudêncio

Recentemente as “cartas ao diretor” do Jornal El País, publicou a nota intitulada “o valor de um livro”, escrito por Rodrigo González Sánchez Zamora.

Contextualizando o texto, a ideia não olhar o livro sob a ótica comercial, mas numa perspectiva simbólica, ou seja, sob a sua capacidade natural de permitir o livro em um esteio voltado para condição cultural de interpretação e valorização.

Vemos em um primeiro momento a afirmação de que os livros são subvalorizados. Logo em seguida, o autor aproveita a oportunidade para enaltecer o contato de uma pessoa com um bom texto literário. Por fim questiona determinadas “tecnologias” que colocam em segundo plano o texto em detrimento de imagens e vídeos.

Assim, Rodrigo González Sánchez Zamora, faz a seguinte observação:

Los libros están infravalorados. ¿A quién no le gusta leer unos versos que te describan tal y como eres, o unas líneas de una novela que te incite a sumergirte en ella? La tecnología ha dado paso a las fotos y los vídeos como símbolo principal de la comunicación dejando en un segundo plano a la escritura, tu mejor amiga en los peores momentos. No pretendo hacer demagogia, sólo quiero exaltar la figura de los libros, aquellos que en esta sociedad actual son los únicos capaces de dar rienda suelta a nuestra imaginación (ZAMORA, 2016, online).

Nesse contexto, até que ponto devemos condicionar as nossas leituras a um único tipo de mídia ou formato? A preferência não deve ser ortodoxa, mas sim, integradora e com a capacidade de promover a convergência de ideias, pensamentos e/ou posturas culturais.

A sociedade atual é cada vez mais imagética e movida pela interação, independente de sua necessidade quanto aos conteúdos que favorecem o acesso a informação ao processo de comunicação.

Assim, o livro é “bom” sob qualquer perspectiva e o seu “valor” está intrínseco simbolicamente em qualquer estrutura.

REFERÊNCIA

ZAMORA, Rodrigo González Sánchez. El Valor de un libro. El País, 2016. Disponível em: <http://elpais.com/elpais/2016/08/25/opinion/1472137322_591925.html>. Acesso em: 01 set. 2016.

Soneto da lembrança

Quando o frenesi da lembrança se manifesta,
ela nos leva ao oportuno,
nos apresenta àquilo que é fundamental,
para aquilo que nos afortuna.

Quando a sensibilidade da lembrança aflora,
ela nos apresenta ao necessário,
nos transmite o exclusivo
e nos conduz a dedicação.

A lembrança nos aproxima!
A lembrança nos humaniza!
A lembrança nos civiliza!

Ao lembrar, nos doamos ao outro.
Ao lembrar, sentimos vontade de cuidar.
Ao lembrar, queremos celebrar.

Mário Gaudêncio
Mossoró, 06 de janeiro de 2016.

Dedico este soneto ao aniversário de minha Hiarinha, por me inspirar a lembrar dela todos os dias da minha vida.

Livros sobre livros

Mário Gaudêncio

Aos amantes da leitura, segue um lista com dicas de livros que são motes para para falar de livros. Confira:

A Terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos: uma releitura do texto literário em realção à sociedade

Sale Mário Gaudêncio
Marcel Lúcio Matias Ribeiro

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Segundo Ramos (apud Lajolo e Zilberman, 2005, p.44) “não tentei cair em três armadilhas comuns nas histórias infantis de que me lembro: na de tom piegas ou sentimental; nenhuma referência concreta ao chamado mundo real (é um conto ‘maravilhoso’); nenhuma distinção precisa entre crianças e adultos”. Graciliano promove olhares infanto-juvenis a partir de inquietações que precisam ser comungadas. Às vezes, leituras ficam sobre as cortinas de fumaça que impregnam o viver nordestino, sufocando as entrelinhas que devem ser regojizadas. De acordo com Lajolo e Zilberman (2005, p.67) “De um modo ou de outro se enraíza uma tradição – a de proposição de um universo inventado, fruto, sobretudo da imaginação, ainda quando esta tem um fundamento social e político”. Para tanto, por que escrever uma obra infante onde tem como protagonista do enredo um menino da cabeça pelada, com olhos de cores díspares? Por que um menino diferente de todos? Por que a vergonha para uma criança? Assim, é Raimundo “pelado”.

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REFERÊNCIA

GAUDÊNCIO, S. M. ; RIBEIRO, M. L. M. . ‘A Terra dos Meninos Pelados’ – Graciliano Ramos: uma releitura do texto literário em relação à sociedade, 1., In: COLÓQUIO NACIONAL DE LINGUAGEM E DISCURSO, 2008, Mossoró-RN. Anais… Mossoró-RN: UERN, 2008. p. 1-10. Disponível em: <http://anaisdoconlid1.blogspot.com.br/2011/09/grupos-de-trabalho-gts-gt-1.html>. Acesso em: 14 jul. 2013.

Cai à chuva, desaba Mossoró

Chuva que cai em Mossoró,
é torrencial.
Um toró,
infinitamente descomunal.

A realidade da terra do sol e do sal
Deixa de ser incandescente
A mente, de quente
a uma opacidade estridente.

Névoa, cegueira e buracos.
Presenciamos uma insanidade aquática,
amarga que deixa a cidade aos trapos.

Se chuva é entendida como benção,
Em Mossoró é concebida como maldição,
Os governantes delas não gostam, fica a destruição.

Mário Gaudêncio e Hiara Câmara
Lampejos tardios de um inverno invisível.
Mossoró, 20 de abril de 2013.