Dica de Livro de fevereiro

Trata-se da obra do jornalista, Max Fisher, que tem como título, “A máquina do caos: como as redes sociais reprogramam nossa mente e nosso mundo”. A obra foi editada pela editora Todavia em 2023.

Fonte: canva.com, com edição bibnews.bib.br.

Veja o resumo publicado no site da editora:

As redes sociais são provavelmente o maior experimento coletivo da humanidade. Mas qual o impacto delas no mundo? São ferramentas que apenas refletem a natureza das pessoas, ou estimulam comportamentos extremistas e a disseminação de notícias falsas? A partir dessas perguntas, o repórter investigativo Max Fisher disseca a história e o funcionamento das grandes empresas de tecnologia, e o impacto global das redes na nossa vida. Com um elenco de cientistas, delatores, políticos, teóricos da conspiração e bilionários misantropos, A MÁQUINA DO CAOS derruba a cortina dos likes e compartilhamentos e mostra uma sociedade perigosamente à mercê de forças contrárias a seus interesses.

Dica de Livro de janeiro

BIBNEWS divulga Dica de Livro para o mês de janeiro.

Trata-se da obra do historiador e professor, João Cezar de Castro Rocha, que tem como título, “Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político”. A obra foi editada em Campinas pela editora Caminhos em 2021.

Fonte: canva.com, com edição bibnews.bib.br.

Veja o resumo publicado pela editora no site da amazon.com.

Guerra cultural e retórica do ódio é um ensaio escrito em prosa literária e que oferece uma descrição inovadora do bolsonarismo, entendido em sua dinâmica própria. Um dos pontos altos do livro é a análise da escalada golpista nos meses de abril e maio de 2020, assim como a previsão de novas tentativas, intrínsecas ao projeto autoritário.O bolsonarismo implica uma visão de mundo bélica, expressa numa linguagem específica, a retórica do ódio, e codificada numa estrutura de pensamento coesa, composta por labirínticas teorias conspiratórias. O livro desvenda cada um desses elementos.A visão de mundo bélica supõe a atualização da Lei de Segurança Nacional (LSN) em tempos democráticos – e são ameaçadoras as consequências desse gesto. Durante a formação do jovem militar Jair Messias Bolsonaro, estava vigente a LSN promulgada em 1969. Em seus 107 artigos, o substantivo morte aparece 32 vezes e 15 artigos prescreviam a pena de morte. O eixo dessa LSN era a identificação do inimigo interno e sua eliminação imediata. Eis aí o cerne da mentalidade bolsonarista.No entanto, como identificar com segurança o inimigo? Orvil, o projeto secreto do Exército, concluído em 1988, esclarece: trata-se do comunismo, do “perigo vermelho” e sua incomum capacidade de infiltração por meio do aparelhamento das instituições. No século XXI, a receita teve acréscimos com a pauta reacionária dos costumes, corporificada na crítica à “ideologia de gênero”. Daí, o modelo desastroso de um governo enquanto arquitetura da destruição, pois é como se destruir instituições “aparelhadas” fosse mais importante do que governar.Rumo à estação Brasília, o que faltava? Linguagem: a retórica do ódio; o idioma do sistema de crenças Olavo de Carvalho. A retórica do ódio é a mais completa tradução da LSN de 1969, limitando o outro ao papel de inimigo a ser destruído. É o reino desencantado do vale-tudo travestido de filosofices, xingamentos e desqualificações. O resultado: caos cognitivo, analfabetismo ideológico e a idiotia erudita: elementos que definem as massas digitais bolsonaristas, criadoras da pólis pós-política.O livro propõe uma série de conceitos novos, a fim de criar linguagem para dar conta da complexidade do agônico cenário contemporâneo. A produção da direita e da extrema-direita é analisada em detalhes, incluindo livros, artigos, textos de blogs, vídeos, documentários, postagens nas redes sociais, num esforço inédito para a caracterização da retórica extremista. O autor desenvolveu um método para lidar com esse material: a etnografia textual, com o objetivo de reconstruir a lógica própria a seus discursos. O olhar etnográfico se completa na proposta de uma ética do diálogo, que valoriza a diferença como fonte de enriquecimento.O autor formula o paradoxo que anuncia um colapso: o êxito do bolsonarismo significa o fracasso do governo Bolsonaro. Sem guerra cultural, não se mantém as massas digitais mobilizadas em constante excitação; contudo, a guerra cultural, pela negação de dados objetivos, não permite que se administre a coisa pública.Por fim, no post-scriptum o autor analisa a fracassada escalada golpista de Donald Trump, mostrando os limites dos “fatos alternativos” diante de um Judiciário independente; salvo engano, lição fundamental para o Brasil de Jair Messias Bolsonaro.O livro conta ainda com um posfácio do jovem editor e historiador Cláudio Ribeiro intitulado “‘Da urgência do agora à caracterização da ágora’: o momento etnográfico de João Cezar de Castro Rocha”, apresentando uma reflexão acerca da metodologia inovadora do autor em relação às preocupações desenvolvidas desde seu primeiro livro, Literatura e cordialidade: o público e o privado na cultura brasileira (1998).Guerra cultural e retórica do ódio é um livro que permitirá entender a cena brasileira atual com novos olhos: um ensaio urgente, no calor da hora.

Escritoras(es) em língua espanhola

por Mário Gaudêncio

No sentido de contribuir para uma curadoria de escritoras e escritores de língua espanhola*, apresentamos a frente uma lista de nomes celebrados pela crítica literária:

  1. Alberto Manguel
  2. Álvaro Mutis
  3. Arturo Pérez-Reverte
  4. Camilo José Cela, Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 1989)
  5. Carlos Fuentes
  6. Gabriel García Márquez, Colômbia (Prêmio Nobel de Literatura, 1982)
  7. Gabriela Mistral, Chile (Prêmio Nobel de Literatura, 1945)
  8. Eduardo Galeano
  9. Isabel Allende
  10. Jacinto Benavente, Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 1922)
  11. José Carlos Mariátegui
  12. José Echegaray, Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 1904)
  13. Jorge Luis Borges
  14. Juan Ramón Jiménez, Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 1956)
  15. Julio Cortazar
  16. Mario Vargas Llosa, Peru/Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 2010)
  17. Miguel Ángel Asturias, Guatemala (Prêmio Nobel de Literatura, 1967)
  18. Miguel de Cervantes
  19. Octavio Paz, México (Prêmio Nobel de Literatura, 1990)
  20. Pablo Neruda, Chile (Prêmio Nobel de Literatura, 1971)
  21. Ricardo Piglia
  22. Rosa Montero
  23. Sergio Pitol
  24. Vicente Aleixandre, Espanha (Prêmio Nobel de Literatura, 1977)

A partir da lista apresentada, foi construído um gráfico com vistas a representar a presença de cada Nobel de Literatura conforme a sua nacionalidade. Assim, temos:

Gráfico – Nobel de Literatura por nacionalidade

Fonte: Dados da Pesquisa (2022).

* Lista constantemente atualizada.

Botar

Os entendedores entenderão!

Ao verbo "botar", fui desafiado declamar.

Na vida que temos
e na que queremos ter
Somos convidados a fazer
e a "botar" com muito prazer.

No meu "botar",
irei te colocar,
com este "botar",
de você irei falar.

Bote fogo,
bote quente,
bote logo,
bote ardente.

Bote com gosto,
bote na vida,
bote do pé ao pescoço,
bote até na despedida.

Bote em casa,
bote na rua,
bote bem massa,
bote de alma nua.

Bote na paz,
bote sagaz,
bote na frente
e bote atrás.

Bote sem vergonha,
bote de forma medonha,
bote risonha,
bote, ponha.

Bote com carinho
bote com a amizade,
bote sem maldade,
bote com bondade.

Mário Gaudêncio
05 out. 2019.

Negação do humano

Na triste dor da angústia que o ser provoca ser,
causando a maldade da humanidade
e do enfado de se conceber
o ser sente vontade de maltratar
e maltratar-se pela eternidade.

De bondade se quer ver, é verdade,
mas de maldade se tem com regularidade,
passando muitas vezes, a sensação de inseguridade.

Se no ser se espera ter, indícios de amabilidade,
o que temos visto, com certo nível naturalidade
é o ser maldizer e malfazer,
o mundo com requintes de crueldade.

Mário Gaudêncio
25 set. 2019.

Olhar indiscreto

Quando a visão se permitiu
o murmurar iniciou
uma gralha surgiu
e a fofoca emergiu.

Se ele apenas tivesse se contentado
com àquela visão individual
e fechado a para boca para tal
ninguém teria ficado afetado.

Brotou um olhar teleguiado
junto a um cochicho para o colega do lado,
fazendo com que todos ficassem ouriçados.

Ninguém mais trabalhou
olhando para àquela cena
por causa de um indivíduo que a provocou.

Mário Gaudêncio, 04 set. 2019.