O que é pós-verdade?

por Mário Gaudêncio

Ultimamente, estamos presenciando uma série de textos, vídeos ou áudios produzidos sobre os meios de comunicação de massa (antiga mídia) ou as mídias alternativas (nova mídia), que promovem o surgimento de fatos unilaterais que muitas vezes são no mínimo duvidosas ou até “inventadas” por interesses particulares.

Ao fantasiar uma “possível informação verídica”, sem uma verdade legitimada, ou seja, que comprove e represente o real cenário do fato ocorrido e noticiado, se aberto espaço para viabilizar um ambiente de perjúrio à pessoas, instituições e/ou conjunturas sociais, políticas, culturais e econômicas, por exemplo.

A Ideia de “pós-verdade” lembra muito o ditado popular “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Entretanto o termo transcende o ditado que remete a ressignificação de gerar um fato a partir de outro. Nesse sentido a “pós-verdade” é mais perversa fazendo com que os

“[…] regimes de pós-verdade produzam mais do que fatos e informações, trabalham com os regimes de crença. Visões de mundo, preconceitos, sentimentos. Se antes o propósito da mentira política era criar uma falsa visão do mundo, agora trata-se de reforçar preconceitos e sentimentos, não apresentar ou analisar fatos. É algo do campo da irracionalidade” (BENTES, 2016, online).

A “pós-verdade” funciona como um “lobista”, que a partir de interesses pessoais leva você a acreditar que o dito é verdadeiro e consequentemente necessário. Daí a preocupação com a expressão e ação do pseudo”produtor de conteúdo”, que necessariamente deve ser visto e encarado com responsabilidade, pois

“[…] pessoas […] individualmente começam a se ver e assumir como produtores relevantes de conteúdos. Essa percepção de que a mídia somos nós, esse conjunto de singularidades que podemos acessar, com quem podemos interagir e trocar realmente é uma mutação antropológica”. (BENTES, 2016, online).

Passa-se a impressão de que basta assumir um perfil em uma rede social virtual qualquer, para “sair por aí destilando veneno” e alimentando o ódio e os valores identitários apocalípticos. No caso das mídias, a informação lançada e reverberada  por meio de redes direcionadas e não direcionadas, possibilitando a um determinado grupo de domínio ampliar o alcance da pseudo-informação.

Essencialmente com a “pós-verdade”, valoriza-se a celebre frase de Maquiavel onde “os fins justificam os meios” e que por meio disso, erroneamente considera-se que no jogo do interesse, tudo pode, tudo deve. Para exemplificar estas considerações, mostram-se cenários onde a “pós-verdade” atuou com profunda força:

a) O cenário político brasileiro (2013-2016);

b) A Eleição Estadunidense 2016;

c) O Brexit Inglês;

d) Emigração Síria.

Assim, e considerando os mais variados contextos, percebe-se que os fatos são “inventados” para viabilizar o cenário necessário de justificar um ato, que jamais terá em vista o bem comum, ao contrário, haverá sempre uma busca pelo interesse individual, onde a disputa pelo poder sempre irá subjugar e silenciar um grupo em detrimento do outro.

REFERÊNCIAS

BENTES, I. A Memética e a era da pós-verdade. Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/home/2016/10/a-memetica-e-a-era-da-pos-verdade>. Acesso em: 24 nov. 2016.

CASTILHO, C. Apertem os cintos, estamos entrando na era da pós-verdade. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/apertem-os-cintos-estamos-entrando-na-era-da-pos-verdade>. Acesso em: 24 nov. 2016.

COUTINHO, L. A Escolha de pós-verdade como vocábulo do ano confirma a sensação de que a veracidade está fora de moda. Disponível em: <http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/whats-up/noticia/2016/11/a-escolha-de-pos-verdade-como-vocabulo-do-ano-confirma-a-sensacao-de-que-a-veracidade-esta-fora-de-moda-8437308.html>. Acesso em: 24 nov. 2016.

FÁBIO, A. C. O que é “pós-verdade, a palavra do ano segundo a Universidade de Oxford. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/11/16/O-que-%C3%A9-%E2%80%98p%C3%B3s-verdade%E2%80%99-a-palavra-do-ano-segundo-a-Universidade-de-Oxford>. Acesso em: 24 nov. 2016.

FILHO, J. A Semana da pós-verdade brasileira. Disponível em: <https://theintercept.com/2016/11/20/a-semana-da-pos-verdade-brasileira>. Acesso em: 24 nov. 2016.

WYLLYS, J. A Pós-verdade é a aliança da mentira com o preconceito. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-pos-verdade-e-a-alianca-da-mentira-com-o-preconceito>. Acesso em: 24 nov. 2016.

O que pode significar “paz”?

por Mário Gaudêncio

Hoje foi divulgado pela Organizações das Nações Unidas – ONU, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, tendo ganhador Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia. O motivo foi por contribuir para um processo de negociação de PAZ entre o governo colombiano e a FARC, que a 52 anos vivem sob constantes conflitos, em uma “[…] guerra civil, que deixou mais de 200 mil mortos” (DW, 2016, online).

Salvas as polêmicas em torno do merecimento do presidente colombiano ser lareado com esta honraria, a ideia de paz é algo bem mais complexo, que ao tentar refletir e entender o que é e qual a sua importância, logo percebemos que, sabemos de menos, de mais, ou até banalizamos o assunto.

Segundo o Portal Etimologia (2016, online, tradução nossa), paz significa período de estabilidade, onde este tempo de tranquilidade é resultado de um pacto.

Partindo deste pressuposto, e voltando o nosso olhar para esta ideia de “estável” a partir de um pacto social comprometido com o interesse coletivo, vemos que a paz é uma necessidade fundamental para subsistência humana.

Encarando desta forma, fica fácil pensar a sociedade, isso é claro se, deixarmos de lado o egoísmo, a prepotência, arrogância, inveja e diversos outros termos gestados para alimentar um modelo de sistema individualista, seletivo e promotor da intolerância.

Se a paz é tão importante, qual o motivo de existir guerra? Simplesmente para alimentar interesses escusos e realimentar o ímpeto da violência, vingança é do capital que sobrevive da morte.

Acredito que seria bem melhor favorecer a vitória a partir da paz, mas não aquela construída sob a força da morte. Deveria ser uma paz que se manifesta  poética e utopicamente a partir do “espírito”, capaz de motivar um perene estado de comunhão, partilha, vivência, solidariedade e respeito ao outro, ao coletivo, a tolerância e o bem comum, sem xenofobia, etnocentrismo ou qualquer outro tipo de preconceito.

Portanto, só desejando ao outro aquilo que se deseja para si, se conseguirá abrir uma janela para ser vivida uma paz permanente, pois a paz começa dentro de cada um nós.

REFERÊNCIAS

DEUTSCHE WELLE BRASIL. Presidente da Colômbia leva Nobel da Paz. Bonn, Germany, 2016. Disponível em: https://bit.ly/2kqnKBw. Acesso em: 07 out. 2016.

ANDERS, Valetín et al. (Org.). Diccionario etimológico. 2016. Disponível em: https://bit.ly/2lUGTw2. Acesso em: 07 out. 2016.

O efeito das nossas escolhas

por Mário Gaudêncio

Ao abrir espaço para esta discussão, logo percebemos que existem uma série de questões que podem fundamentar este tema. Dentre elas se faz necessário observar um aspecto indiciário:

O que ganhamos e perdemos a partir do momento que fazemos escolhas?

Minha possível resposta forjada ao longo de minha trajetória iniciará a partir do conceito clássico de Política, que se bem empregado e compreendido pode ser entendido como:

Política: A Arte da busca pelo bem comum.

São condicionantes sociais entrelaçadas ou imbricadas ao processo de construção e formação de um povo ou grupo. Neste sentido, toda a nossa vida passa obrigatoriamente por amplo processo decisório, seja em casa, na escola, universidade, templo (em todas as dimensões e formas de culto), trabalho, partido político, etc.

De maneira consciente, inconsciente ou intuitiva, ao longo na vida temos constantemente escolhido e elegido pessoas. Isso ocorre em um relacionamento afetivo, organizacional ou ao que refere a soberania nacional.

Quando estas escolhas se dão de forma lúcida, o amango é massageado e a natureza quanto ao processo de participação parece ter um valor simbólico maior. Contraditoriamente, quando ocorre um relaxamento quanto ao processo de escolha, o agente social encara este momento como um ambiente oportuno para o seu relaxamento ético ao processo de escola. Dicotomicamente se coloca na condição de ser liberto quanto à prática social.

Da mesma forma que um relacionamento afetivo ocorre carregado de afinidades ideológicas, isso também se dá por meio da escolha de um representante partidário e da sua concepção ideológica, forjada essencialmente suas escolhas e concepções sociais, educacionais, ambientais, culturais e de sua posição política, tenha ela vertente conservadora ou progressista.

As afinidades afetivas e ideológicas estão para o namoro, assim como estão para política.

É imperativo ser prudente e disciplinado nesse processo de leitura, reflexão e escolhida nesta dinâmica tênue nesta perspectiva de construir algo que seja significante à coletividade.

É bem verdade que temos o poder transformador de construir o novo, porém, esta novidade é imbuída de comprometimento coletivo, responsabilidade social, ética pessoal, maturidade ideológica e permanente diálogo pluralista.

Construir o novo não significa necessariamente romper com avanços vigentes, mais aprofundá-los na perspectivas que mais atores ajudem-a avaliar, construir, fortalecer e a possibilitar cada vez mais redução de incertezas e valorização da pessoa humana.

Desta maneira, o processo de escolha em nossa vivência pode funcionar como uma colcha de retalhos ou uma rede conexões. Tudo está interligado e subitamente a nossa posição influenciará positiva ou negativamente a nossa vida e o cotidiano das pessoas que nos cercam.

Vamos refletir as nossas escolhas simbolicamente como uma bomba atômica! Os seus efeitos serão devastadores, seja pela ótica do opressor ou oprimido, pela visão do vencedor ou do vencido.

Se avançarmos este olhar na perspectiva do empoderamento relacionado a memória coletiva, uma simples escolha poderá levar um grupo social em detrimento de outros, a sua vociferação, anarquia ou até mesmo ao seu silenciamento.

É neste contexto que a escolha exorta o tempo enquanto prática de avaliação (ontem), definição (hoje) e acompanhamento (amanhã). Não é tarefa fácil, mas extremamente necessária. Por isso, não é possível terceirizar, tão pouco delegar a outros responsabilidades que são exclusivamente suas.

Assim, escolha com vistas ao bem comum, pois você não é uma ilha e as suas vontades pessoais ou personalísticas devem ficar em segundo plano, pois escolher é sinônimo de doação, compartilhamento, comunidade, diversidade, respeito e amor ao próximo.

Sua escolha poderá produzir um cenário de catástrofe ou de bem estar social. Tudo depende da sua escolha!