Representar

Representar a informação,
é uma arte, uma disciplina ou técnica?
Na verdade, é magia.
É uma forma de manifestação.

A representação transforma
Linguagem natural
numa surpreendente
Forma de Linguagem artificial.

Linguagem que se transforma,
Em tesauros e vocabulários
em glossários e classificações bibliotecárias.

Representar é organização,
favorece a preservação da memória
e potencializa a disseminação.

Mário Gaudêncio
Parnamirim, 25 de outubro de 2011
Homenagem a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

NUTSECA

NUTSECA
Nutre-se da seca
Seca que nutre
Núcleo de seca.

Sertão semiárido
Que serpenteia a vida
Aperreia a fome
E entristece a lida.

Sertão que alegra o povo
E é alegria do novo
Quando o grande verde é vigoroso.

Sertão de bela cor
De grandes chamegos
E de infinitos juninos festejos.

Mário Gaudêncio (24 de outubro de 2011).
“Escrito dentro do ônibus com trajeto de João Pessoa para Natal”.
Homenagem ao Núcleo Temático da Seca da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Escrito para as comemorações da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, 2011.

Corpus Misticum e Corpus Mechanicum

Publicado inicialmente em: http://dci.ccsa.ufpb.br/pi/?p=208

Mário Gaudêncio

RESENHA

FRAGOSO, João Henrique da RochaCorpus Misticum e Corpus Mechanicum. In:______. Direito autoral: da antiguidade à internet. São Paulo: Qpartier Latin, 2009. 

Trata da relação Corpus Misticum e Corpus Mechanicum, ou corpo espiritual e material; em suporte espiritual e suporte físico etc. Mostra que a simples criação que permanece na mente do criador serve, tão-somente, para seu próprio deleite, como já dito, como o próprio ato de criar. A criação que, por qualquer forma, meio ou processo não for exteriorizada, não é obra, posto não poder ser perceptível no mundo físico, e, por isso, simplesmente não existe. Impõe-se, para que se torne uma obra que, de alguma forma, se exteriorize materialmente, que se torne fenômeno, manifestado no tempo el ou no espaço, perceptível pelos sentidos. De certo modo, sequer há criação se não houver exteriorização. O fenômeno da exteriorização da obra de arte pode ocorrer tanto em caráter transitório, volátil, como de modo permanente. Observa o risco que passa uma locução, declamação, recitação, mesmo uma peça de teatro, um cântico, enfim, todas essas formas dirigem das a outrem, de uma só vez ou repetidas vezes, quando não tenham sido, de algum modo, fixadas em algum suporte material (corpus mechanicum);são obras que se perdem, ou vivem apenas na tradição oral, submetidas a modificações de toda ordem pela sua transmissão ao longo do tempo. Deixa claro que se transporta a obra (o corpus misticum) da mente de seu criador para o mundo físico, para um suporte material (corpus mechanicum), por qualquer processo de fixação, passa a obra a existir no mundo físico em caráter permanente, especialmente dada a possibilidade de sua reprodução por cópias físicas, por armazenamento digital, microfilmagem etc., tudo conservado ou publicado. Informa que houve uma evolução temporal na transposição e registro de ideias para um suporte material, especialmente em virtude do continuo desenvolvimento de novas tecnologias. Portanto, é visto assim que, de um lado está a criação do espírito, de outro, a sua manifestação no mundo físico, sob qualquer forma ou meio; é necessário que a ideia se transmute em obra, que se transforme em fenômeno físico – ainda que não fixado em qualquer suporte -, perceptível ou passível de ser percebido, para que efetivamente exista.

Frente ao que foi levantado por Fragoso (2009) sobre Corpus Misticum e Corpus Mechanicum, é acreditado que o maior elemento, tanto conciliador, quanto separador na relação espírito/material é a questão do registo, ou seja, da forma que é feita e como é feita a transfiguração da ideia entre o subjetivo e o mensurável. O material é um instrumento extremamente importante, contudo, é preciso fortalecer e respeitar o processo cognitivo de apreensão e comunicação em favor do registro ou transposição física, para que se tenha perpetuado o conhecimento sem substanciais “deturpações” da ideia da informação construída, mediada e propagada.

É dia de lua

Em noite de lua cheia.
O céu e as estrelas brilham,
Os ventos sopram
Os espaços nos encantam
O mato cheira.
Os passarinhos cantam
A vida por um instante
Torna-se mais bela
Irradiante, Estonteante.

Vejo na minha frente…
A púrpura das nuvens
A áurea das luzes
A sombra da taipa
A cheiro da terra
O sopro do vento na vela
A fumaça do candeeiro
A paixão provocada todo dia
e o ano inteiro
Pelo pensamento
ou ação da Dama ou do cavalheiro.

Irradia também
Aquele que muitas vezes está aquém
O trabalhador da lida,
Que pega na enxada e só quer fazer o bem
Cultivar, plantar, colher e viver também.

Ô! Irradiante
Quando contemplas aquele momento
Parece como sendo “quase” o último.
Último de minha vida.
Naquele momento não falta mais nada.
O tempo pára.

Pois o homem e a mulher ao passo que irradiam-se,
Pensam e imaginam de novo,
Que, não falta mais nada.
O tempo pára.

Ali,
Naquele pouco instante
Que para mim torna-se uma eternidade,
Vejo apenas beleza e bondade,
Alegria e fraternidade.
Nada de morte, tristeza nem vaidade.

Por um instante, estou na terra prometida,
Prometida, para aqueles e aquelas que fazem o bem.
Bem ao espaço, ao meio e ao ambiente também.

Ô! Minha linda.
“My beatiful moon”.
Ostento-te, ilumina-me, embeleza-me.
Torna-me como algo que seja teu, seja tua,
Grande lua.

Que eu seja para ti,
Assim como o Tom está para a música
E a música para o Tom.
Que seja uma bonita música,
Assim como aquelas que sai do triângulo,
da zabumba e do acordeom.

Ai! Como devíamos nos aprouver da natureza,
da lua, como algo de presteza, de muita riqueza.

Tenho toda a certeza que depois deste momento
onde pude encontrar-te
devo sobre tudo,

Amar-te, respeitar-te e contemplar-te.
Como algo infinitamente… bela … e infinitamente nossa.

Mário Gaudêncio (Escrito em: 23 de fevereiro de 2005,
iluminado pela luz de candeeiro).

Alma nua

É preciso desnudar-se,
é como imaginar o fim da censura,
imaginar o óbvio,
escrever o inesperado,
chegar as massas
sonhar o erudito
e materializar o brega.

Faz-se oportuno
para crescer livre e aberto
na (im) previsibilidade
do artificial, do natural homem.

É hora de romper
com a castidade do rancor
impregnado na pesada
sintonia do nativo aborígine racional
com o seu meio.

Assim,
o desnudamento da alma, apenas dar-se-á
se for possível
acabar na hora certa
a áurea do pudor humano.

Mário Gaudêncio (14/06/2007 – Dia Natalício).

Benzedeira Mariinhia

À Dona Maria Augusta dos Santos.

Foi com Dona Marinhia
que aprendi o poder da reza.
Não tem dor nem aflição
que a cura não dê solução.

É dor de dente,
“espinhela caída”,
mau olhado
e até “vento caído”.

Conhecer uma benzedeira nos dias de hoje
é sublime por demais é êxtase e louvação,
que num tempo de tanta transformação,
continua viva toda uma tradição.

Mário Gaudêncio (01/06/2007).