LÉVY, P. As Tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2. ed. São Paulo: 34, 2010. (Coleção Trans). Resenha.
Resenha por Mário Gaudêncio¹
Apresenta uma cuja a temática se dá em torno das tecnologias da inteligência, tendo como perspectiva teórica a corrente científica ecologia cognitiva.
Propõe em sua obra uma sistematização com vistas a entender o contexto histórico e cultural com a qual as tecnologias da inteligência foram criadas e desenvolvidas, assim como, busca propor saídas epistemológicas e metodológicas para pensar a sociedade pós-moderna a partir da ecologia cognitiva. Para isso, sua perspectiva teórica será construída em três partes, seno elas, “a metáfora do hipertexto”, “a oralidade primária, escrita e a informática”, como os três tempos do espírito; “rumo a uma ecologia cognitiva”.
Inicialmente, percebe-se que a ideia de hipertexto em primeiro lugar não é algo novo e por esse motivo, fica nítido visualizar o como sua concepção foi fundamental para fazer entender o surgimento da informática e consequentemente da internet. De maneira didática é possível observar este cenário a partir dos pensamentos idealizados pelo MEMEX, passando pela proposição da Apple e chegando as redes digitais. Mas o autor também deixa claro que, nada sei possível se desde a antiguidade não tivesse sido valorizado poder da oralidade, da escrita e consequentemente da invenção da imprensa.
Em segundo lugar, a quem pertence ao campo da ciência da informação e especificamente ao da biblioteconomia, o autor irá “costurar” toda a sua obra, falando da importância da Organização da Informação e do Conhecimento, isso fica nítido quando ele busca referenciais baseados em catálogos, classificação e bibliotecas.
Uma terceira questão relevante, é a forma como constrói a ideia de ecologia cognitiva, que sob uma condição pós-moderna pensada por Jean-François Lyotard, é muito aproximativa ao que também é postulado pela teoria da complexidade de Edgar Morin.
Depreende-se que neste mundo líquido concebido por Zygmunt Bauman e de antítese informacional construída através da modernidade tardia indicado por Anthony Giddens , onde, por um lado tem excesso de informação e por outro, ausência de competência para interpretar e lhe dar com estas mesmas, pensar e enquadrar toda uma forma de pensar e agir baseado em unidade na diversidade, valorizando as individualidades com vistas a uma inteligência coletiva é extremamente salutar, contudo, é importante considerar que toda corrente de pensamento não é, nem pode ser considera como completa, universal, até para não cometer o erro buscado pela cartesianismo positivista, que em última instância perdeu valor epistemológico a partir do momento que foi descoberta a teoria da relatividade e a teoria quântica, onde, aquilo que outrora era idealizado como imexível, passou a ser profundamente criticado por uns, refutado por outros ou complementados por novos seguidores.
Coadunado com a teoria crítica, vale lembrar aqui que, não se quer silenciar um em detrimento do outro, mas aproveitar aquilo que é positivo dos “dois mundos”.
Neste sentido, quando as tecnologias da inteligência são vistas e consideradas em todas as suas dimensões, aproveitando as suas potencialidades e limitações à luz da ecologia cognitiva, a quem também poderia ser chamada de ecologia da informação, se torna possível ampliar o horizonte teórico-metodológico e permitir que se chegue a um cenário além do determinismo e do estruturalismo, valorizando e integrando, o indivíduo, as mídias, a cultura e as tecnologias vigentes e vindouras.
É considerando isso que se tem a possibilidade de apresentar a ecologia cognitiva como “o estudo das dimensões técnicas e coletivas” (LÉVY, 2010, p. 139), valorizando a relação sujeito e objeto, assim como os aspectos cognitivos e sociais. Isso lembra em certa medida os paradigmas de Capurro e os postulados de Saracevic, onde as questões pragmáticas, cognitivas, semânticas, sociais e cognitivas são extremamente valorizadas e necessárias no fazer científico, em especial quando que quer entendo o contexto e rumo com a qual a informação está inserida, é produzida, a quem se destina e porque é relevante.
Portando, as tecnologias da inteligência, sob o viés da ecologia cognitiva se apresenta de suma relevância ao contexto cultural, social e informacional, tendo em vista que ela se coloca como uma corrente de pensamento holística, híbrida e pós-moderna, critérios singulares e significantes para fazer entender as demandas e disputas políticas e científicas que são e serão travadas nos mais diversos campos de batalha.
¹Resenha escrita a partir da disciplina “Tecnologias da Informação e da Comunicação” no âmbito do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, nível de doutorado, da Universidade Federal da Paraíba em 2017.
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