Em noite de lua cheia.
O céu e as estrelas brilham,
Os ventos sopram
Os espaços nos encantam
O mato cheira.
Os passarinhos cantam
A vida por um instante
Torna-se mais bela
Irradiante, Estonteante.
Vejo na minha frente…
A púrpura das nuvens
A áurea das luzes
A sombra da taipa
A cheiro da terra
O sopro do vento na vela
A fumaça do candeeiro
A paixão provocada todo dia
e o ano inteiro
Pelo pensamento
ou ação da Dama ou do cavalheiro.
Irradia também
Aquele que muitas vezes está aquém
O trabalhador da lida,
Que pega na enxada e só quer fazer o bem
Cultivar, plantar, colher e viver também.
Ô! Irradiante
Quando contemplas aquele momento
Parece como sendo “quase” o último.
Último de minha vida.
Naquele momento não falta mais nada.
O tempo pára.
Pois o homem e a mulher ao passo que irradiam-se,
Pensam e imaginam de novo,
Que, não falta mais nada.
O tempo pára.
Ali,
Naquele pouco instante
Que para mim torna-se uma eternidade,
Vejo apenas beleza e bondade,
Alegria e fraternidade.
Nada de morte, tristeza nem vaidade.
Por um instante, estou na terra prometida,
Prometida, para aqueles e aquelas que fazem o bem.
Bem ao espaço, ao meio e ao ambiente também.
Ô! Minha linda.
“My beatiful moon”.
Ostento-te, ilumina-me, embeleza-me.
Torna-me como algo que seja teu, seja tua,
Grande lua.
Que eu seja para ti,
Assim como o Tom está para a música
E a música para o Tom.
Que seja uma bonita música,
Assim como aquelas que sai do triângulo,
da zabumba e do acordeom.
Ai! Como devíamos nos aprouver da natureza,
da lua, como algo de presteza, de muita riqueza.
Tenho toda a certeza que depois deste momento
onde pude encontrar-te
devo sobre tudo,
Amar-te, respeitar-te e contemplar-te.
Como algo infinitamente… bela … e infinitamente nossa.
Mário Gaudêncio (Escrito em: 23 de fevereiro de 2005,
iluminado pela luz de candeeiro).