Vejo através de minha cegueira

Apesar de minha cegueira ser notória e fatídica,
sinto sobre meu corpo
com coração e minh’alma
toda uma sensação
de orgulho e ternura,
por ver a partir de órgãos que outrora
são importantes e capazes
de fazer sentir tudo aquilo,
que um mortal
sem visão multiangular
pode enxergar.

Fico eternamente contente
de poder proporcionar-me
o gosto de ver, diferente de você, claro
mesmo assim, oportunizando constatar
a beleza do escuro-claro.

Acredito veementemente que
nem tudo aquilo que se vê é verdade
mas, tudo que sinto, desejo,
materializo, cheiro, sonho e ouço.

A minha verdade
é aquela “visagem”
que sai de minhas entranhas
corre todo o meu corpo,
estoura por todos os meus poros
sua todos os meus membros
e exala o meu cheiro
por todos os cantos
contagiando a vida de todos65
aqueles que me rodeiam,
onde idealiza-se a vontade
de que os meus xodós sejam
absorvidos por uma terra bem quista.

Mário Gaudêncio (14 de junho de 2007).

Em tempo de festas

Acendeu-se o estopim,
fogos de artifícios foram lançados.
Todos cantam e dançam a “alegria”.

Aos que congratulam em função do “acúmulo anual”,
bebedeira…
todos transformam-se em torridos fanfarrões.

Quanto aos miseráveis excluídos
de uma realidade atemporal,
basta rezar para um menino bem distante,
quase extraterreste.

A prática da solidariedade
presente nos utópicos discursos potiguares,
tem estado visíveis a massa que clama e cala.
Um povão que resta-lhe migalha,
esmola sem indícios de mudança
de posturas e de práticas libertadoras.

É tempo de comemorar que menino?
No campo das lutas socias de classe,
a cada dia,
tem-se apresentado demonstrações
de disparidades sócio-ambientais.

Dia pós dia, uns poucos,
adquirem fazendas de perus,
enquanto outros,
mal tem roupas, ficam nús.

Entre banquetes e inexistentes mesas,
está a tênue e famigerada fome,
de alimento físico e espiritual.
Quantos comemoram as festas de finais de ano
em sintonia com respeito e amor humano,
com práticas plurais e sem restrições
as opções sexuais, de gênero, etnias, credos, etc.?

Sobre os surtos contínuos do capitalismo
e corporativismo doméstico,
tem padecido possíveis vontades de construir
um mundo menos desigual e injusto.

Assim, percebe-se que nesta sociedade de extrema mutação,
tem-se visto que o seticismo
tem influenciado qualquer ação humana,
seja qual for o lugar.
Será então, momento de rever conceitos?

Mário Gaudêncio (25 dez. 2007).

Tarefas do lar

Ratatuia!
Embolua
Me construa
uma coisa crua
que pode ser sua.

Embrulhe-me
como presente
a seu bel prazer:
pink, azul bunina…
até com laços de bolinhas.

A indumentaria é sua
a criatividade também.
Prefiro ser o seu
rato de laboratório
a ter que lavar seus pratos
e enchugar a sua louça.

Mário Gaudêncio (01/01/2008).

Botando gás na lamparina

A terra do piqui e do sertanejo
envolveu a companheirada
protegidos por Aparecida
Santa Imaculada.

Via-se Ludimila na logística,
o Redelson com preocupação,
Hugo nos acolhendo
e Aline na gravação.

Os jovens que nos receberam
são arretados por natureza
trabalharão muito
pra que a comissão imagina-se ser a própria realeza.

Por dias produzimos,
nos bastidores refletimos,
por necessidade decidimos,
neste ambiente encaminhamos.

Com maturidade
de uma maioridade juvenil
mapeamos a pastoral no Brasil.
Resultado: um bonito sorriso cor de anil.

A secretaria ganhou Ludimila e Givanildo
um casal que “ispia”
cenário de crescimento
pois a PJMP sempre contagia.

Pra comemorar 30 anos,
iremos a Bom Jesus da Lapa (BA),
continuar mostrando ternura e resistência
até a última consequência.

Silvano e Redelson
serão elo de ligação (local/nacional).
O NE3, Cláudia, Regina e Raquel,
serão os fermentos de motivação.

Todo o Brasil precisa animar-se
a PJMP mais uma vez
dar respostas de vivacidade
e estará presente por toda eternidade.

Todos os regionais
já podem se organizar
daqui a um ano
tem congresso pra celebrar.

Neste processo de fortalecimento
o congresso será uma revolução no seu perfil.
Ainda faremos nossa Assembléia
e uma romaria pra 30 mil.

Outros fatos importantes
também norteiam a caminhada 2008/2009:
Os 100 anos de Dom Hélder será inspiração,
e discutir a Vida com a CF uma satisfação.

Com o DNO lançaremos o congresso
espiritualidade e mística no meio popular
rezar pela pastoral
e lembrar que as eleições é preciso fiscalizar.

Os próximos meses serão intensos.
Há muitas tarefas.
É momento de unir as forças,
de ser fermento junto as massas.

Nós somos muitos,
grandes e fortes.
Uma pastoral ousada e carinhosa
libertadora e cativante.

Aos/as jovens da periferia,
arruados e vielas,
ousemos e cativemos!
Apaixonemos e Amemos!

PJMP, 30 anos
em defesa da vida,
pelos direitos humanos,
de mística e espiritualidade,
de ternura e aconchego,
de fé e política,
de luta e resistência.

PJMP, até que morte carnal,me separe de você.
Pois o céu é o limite
para continuaemos sonhando, lutando e acreditando
por um mundo mais equilibrado.

Mário Gaudêncio (29 de janeiro de 2008).

Memórias de João Grandão

Depois de muito tempo, alimentando um egoísto sobrecomum…
Caiu João Grandão.
Chuá, lá, pá.
Deita,
eita,
taahh.
Morreu!.

Querido pião

Oh! pião!
Pira, roda,
gira, bate,
quebra, nada!

Oh! pião!
fica aqui.
Só na minha mão…
fica aqui

Pião que bate, bate
e não morre por quebrar,
tem 100 anos pra rodar,
tem 100 anos pra matar.

Linha firme me segure,
sou forte e rechuchudo.
Tenho uma ponta grande,
sou do tamanho do mundo.

Ninguém se atreva
me desafiar.
Sou bicho grande
e nesse terreiro posso mandar.

Nesses tempos de brincança
onde tem uma grande meninada
ninguém quer estudar
eu me sinto o cara, o homem da criançada.

Mário Gaudêncio (29/06/2008).
Postado por Sale Mário Gaudêncio