Acendeu-se o estopim,
fogos de artifícios foram lançados.
Todos cantam e dançam a “alegria”.
Aos que congratulam em função do “acúmulo anual”,
bebedeira…
todos transformam-se em torridos fanfarrões.
Quanto aos miseráveis excluídos
de uma realidade atemporal,
basta rezar para um menino bem distante,
quase extraterreste.
A prática da solidariedade
presente nos utópicos discursos potiguares,
tem estado visíveis a massa que clama e cala.
Um povão que resta-lhe migalha,
esmola sem indícios de mudança
de posturas e de práticas libertadoras.
É tempo de comemorar que menino?
No campo das lutas socias de classe,
a cada dia,
tem-se apresentado demonstrações
de disparidades sócio-ambientais.
Dia pós dia, uns poucos,
adquirem fazendas de perus,
enquanto outros,
mal tem roupas, ficam nús.
Entre banquetes e inexistentes mesas,
está a tênue e famigerada fome,
de alimento físico e espiritual.
Quantos comemoram as festas de finais de ano
em sintonia com respeito e amor humano,
com práticas plurais e sem restrições
as opções sexuais, de gênero, etnias, credos, etc.?
Sobre os surtos contínuos do capitalismo
e corporativismo doméstico,
tem padecido possíveis vontades de construir
um mundo menos desigual e injusto.
Assim, percebe-se que nesta sociedade de extrema mutação,
tem-se visto que o seticismo
tem influenciado qualquer ação humana,
seja qual for o lugar.
Será então, momento de rever conceitos?
Mário Gaudêncio (25 dez. 2007).