A pipa do menino voa.
É quando flutua sua alegria.
O menino não voa,
mas se sente pássaro
quando seu instrumento parece:
um colibri, uma sabiá, uma cacatua,
um papagaio, uma arara, toda sua.
É uma sensação de onipotência
na presença do lançar-se sob as nuvens um vôo,
como objeto que seja ou não, identificado.
Minha’alma é pipa quando voa,
a pipa é linha, carretel, rabiola
e sensibilidade para adestrá-la.
É uma grande sinfonia
é um relógio cheio de engrenagens,
onde um depende do outro.
É a relação do concreto com o abstrato.
É a fusão da alma, do corpo e do objeto.
É o encontro da terra e do vento.
É o amor de uma infância sem desalento.
Mário Gaudêncio (9 jan. 2007).