A Barroca e a Biloca

A Barroca e a Biloca*
Jogando a biloca,
acertei na borroa,
a barroca esborrotou
e Carlos ganhou.

O jogo passou,
o dia raiou,
o dia é de Carlos,
ninguém o derrubou.

Outro dia virá.
Quem o derrotará?
Será que existirá?

A brincadeira recomeçou.
A todos, Carlos desafiou,
mas ninguém desabrochou.

Mário Gaudêncio (08/07/2008).

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*Também conhecida como “bila” ou “bola de gude”.

Madrugada sombria

Madrugada sombria
Casa grande,
indiferença absurda.
Desventura enigmática,
cantiga desprovida.

Casa cheia,
cangaços urbanos.
A destruição margeia.
Homens desumanos...

Carta fora do baralho,
a nossa vida
é um sucumbido fiasco.

Pedras precedentes
que surgem no caminho
e castigam os amantes.

Mário Gaudêncio (16/07/2008).
Atualizado em 30 de novembro de 2019.

Chegança da morte

Falam da morte
desde que morte é morte
desde que sorte virou torpe
que o todo levou corte.

Há quem queira
com a morte
gerar vida
basta ter sorte.

Morte.
Vida.
Sorte.
Partida.

Forte,
quem vai.
Fraco.
quem fica.

Mário Gaudêncio (sexta-feira, 5 set. 2008).

Poema entre amigos

Aos Infantes,
ISABELA, JÚNIOR, KETLIN, LAIANE,
LORENA, MÁRCIO, REGIVANDERSON E VINÍCIUS.

QUERIDA ISABELA
SE GOSTARES DE AMAR
DE AMAR VOU LE FALAR
QUANDO DESEJAS O AMOR
O AMOR TE ALCANÇARAR
PODE ATÉ DEMORAR
MAS LE CHEGARÁ

KETLIN, MENINA DE SUCESSO
PEDE-SE UM VERSO
DOU-TE UMA ESTROFE
PEDE-SE UMA ESTROFE
DOU-LHE UM POEMA
MAS SE QUERES UM POEMA
APRESENTO-TE UM LIVRO
CHEIO DE MAGIA E ESTÓRIAS DE QUEM AMA

AMIGA LORENA,
QUANDO DEDICO UMA POESIA
LEMBRO DAS BELEZAS DESTA CIDADE
E SE ELA É FEITA PRA VOCÊ
FICO MAIS FELIZ E CHEIO DE VAIDADE

COLEGA MÁRCIO,
SE GOSTARES DE LER
LEIA ATÉ ADORMECER
SE GOSTARES DE SAIR
ANTES ESTUDE PARA PODER PARTIR
TEM-SE EM CASA
UMA BIBLIOTECA
USE-Á COMO UMA BICICLETA.

SIMPÁTICA LAIANE
É VERDADE O QUE DIZEM POR AÍ.
QUE ESCREVO POEMAS
MAS COMO IREI
ESCREVER POEMAS
SE NÃO TENHO
NEM PENA DE EMAS?
AGORA, SE MINHAS ANTENAS
FUNCIONAREM COMO TUA INTELIGÊNCIA
RABISCAREI ATÉ 1000 DILEMAS
QUE DIRÁ POEMAS.

AMIGO JÚNIOR
PERGUNTAS-ME SE POEMA É SENTIMENTO
SE NELA TEM ALEGRIA OU LAMENTO.
SEI QUE TEM AQUELAS
QUE FALAM DE SOFRIMENTO
MAS EU ENFRENTO.
TRISTEZA NUNCA,
NEM QUANDO O GATO MIA.
PLANTE O AMOR
E COLHA ALEGRIA
CULTIVE O RESPEITO
E TERÁS SABEDORIA

CAMPEÃO VINÍCIUS,
MANDA-SE UM ABRAÇO
EU ACEITO POR AQUI
E POR ESTA ATENÇÃO
DAREI-LHE UM CORDEL DE ACACI.

OLÁ REGIVANDERSON
GOSTO QUANDO ALGUÉM
TAMBÉM GOSTA DE POESIA.
POEMA É SABOREAR
É PARA GRITAR ISPIA!
POESIA É PARA AMAR
EITA, QUE FRIA!
POEMA É PARA SONHAR
AI, EU QUERIA!
QUE BOM,
ESCREVA VOCÊ TAMBÉM UMA POESIA.

Mário Gaudêncio (08 out. 2008)
Poema em resposta às cartas escritas por crianças de 10 – 12 anos do Colégio Nossa Senhora da Conceição – Lagoa de Pedras/RN.

Necessidade de vencer

Companheiros de caminhada
é chegada a hora
de fazer acontecer
hora de botar o pé na estrada
e começar a grande partida.

A vida é bela
quando queremos.
As vezes é até uma fera
que ninguém espera.

Viver 25 anos,
significa, ter e ser
terno e resistente,
amante e paciente
com muito vigor ardente.

O jovem deve,
pode e precisa fazer,
alimentar a fé no meio popular
e comungar com um Cristo
que nunca irá descansar.

Não se pode abater-se
nem mal dizer-se,
é hora pra ficar de pé
e amadurecer a mística que surgiu
nas terras de Nazaré.

Coragem, vida, dignidade e esperança.
Jesus é nossa segurança.
Vamos engrossar o caldo
formar uma grande aliança.

O sonho está nas nossas mãos
é uma batalha em mutirão.

Mário Gaudêncio (21 abr. 2003 – Um jeito diferente de ver a PJMP).

Pipa

A pipa do menino voa.
É quando flutua sua alegria.
O menino não voa,
mas se sente pássaro
quando seu instrumento parece:
um colibri, uma sabiá, uma cacatua,
um papagaio, uma arara, toda sua.
É uma sensação de onipotência
na presença do lançar-se sob as nuvens um vôo,
como objeto que seja ou não, identificado.

Minha’alma é pipa quando voa,
a pipa é linha, carretel, rabiola
e sensibilidade para adestrá-la.
É uma grande sinfonia
é um relógio cheio de engrenagens,
onde um depende do outro.
É a relação do concreto com o abstrato.
É a fusão da alma, do corpo e do objeto.
É o encontro da terra e do vento.
É o amor de uma infância sem desalento.

Mário Gaudêncio (9 jan. 2007).